Lobista ligada a Lulinha acumula R$ 1,1 milhão em dívidas tributárias
Roberta Luchsinger também é alvo de processos por débitos com empresas, funcionários e prestadores de serviço
A empresária Roberta Luchsinger, apontada pela Polícia Federal (PF) como lobista e investigada por suposta atuação junto ao governo federal, acumula cerca de R$ 1,1 milhão em dívidas tributárias em nome de duas empresas das quais é proprietária. As informações foram divulgadas pelo G1.
Além dos débitos com a União e a Prefeitura de São Paulo, Roberta aparece como ré em processos relacionados a dívidas com diferentes tipos de credores. Levantamento de documentos judiciais mostra cobranças envolvendo uma escola, uma loja de roupas, proprietários de imóveis, uma agência de publicidade, funcionários e prestadores de serviço.
A reportagem analisou nove processos nas Justiças de São Paulo e Minas Gerais. Em parte deles, acordos firmados para quitar os débitos não foram cumpridos. Também houve casos em que a Justiça não localizou valores em contas bancárias ou bens em nome da empresária.
A RL Consultoria e Intermediações S.A., uma das empresas de Roberta, possui R$ 821 mil em débitos de impostos federais, segundo dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. A empresa ainda deve cerca de R$ 199,7 mil em ISS à Prefeitura de São Paulo.
Já a Elephant 2 Produções Ltda. acumula aproximadamente R$ 82,6 mil em dívidas tributárias com a União e o município. Somados os débitos das duas empresas, o valor chega a cerca de R$ 1,1 milhão.
Processos na Justiça
Um dos casos envolve um tapeceiro contratado para reformar imóveis da empresária. O serviço custou R$ 61 mil, mas apenas R$ 25 mil foram pagos. Depois de decisões desfavoráveis em diferentes instâncias, Roberta firmou acordos para quitar a dívida, mas não cumpriu os compromissos.
Como parte da tentativa de pagamento, ela entregou 14 gravuras que afirmou serem obras originais de Cândido Portinari. O Projeto Portinari, consultado posteriormente, informou que se tratavam de reproduções.
Também há registros de dívida com uma escola onde a filha da empresária estudou. Em 2017, Roberta teria acumulado aproximadamente R$ 91 mil em mensalidades não pagas.
Outro processo envolve uma loja de roupas de luxo. Uma compra de R$ 6,1 mil não foi quitada e a dívida ultrapassava R$ 21 mil na última atualização mencionada no processo.
A empresária também foi alvo de uma ação de despejo relacionada a um apartamento em Higienópolis. O débito com aluguel, condomínio e IPTU chegou a quase R$ 500 mil. O valor acabou sendo quitado em maio de 2024.
Há ainda processos relacionados a uma agência de publicidade contratada para uma pré-campanha eleitoral e a duas trabalhadoras que atuaram como babá e empregada doméstica. Segundo os processos, os serviços foram prestados sem que todos os valores devidos fossem pagos.
Investigação da Polícia Federal
O histórico judicial ocorre paralelamente às investigações da PF sobre a atuação de Roberta como lobista. Segundo a investigação, ela teria recebido R$ 1,5 milhão para trabalhar para Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado por suspeita de participação em um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas.
A PF também apura se Roberta utilizou contatos com integrantes do governo federal para tentar viabilizar negócios com a administração pública.
Entre as pessoas com quem ela mantinha relações está Fábio Luís da Silva, o Lulinha. A investigação apura se houve pagamento de vantagens indevidas a ele. Roberta, Lulinha e outros envolvidos negam as acusações.
A empresária também manteve relações com o meio político ao longo dos anos. Em 2011, casou-se com o então deputado federal Protógenes Queiroz. Em 2018, foi candidata a deputada estadual, mas não conseguiu se eleger.
Procurada sobre os processos mencionados na reportagem, Roberta não apresentou esclarecimentos sobre os casos e encaminhou apenas uma lista com o andamento e os valores das dívidas.