Marinho quer voto aberto da direita para evitar apoio a Alcolumbre no Senado
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que defenderá que senadores de direita divulguem publicamente seus votos na eleição para a presidência da Casa, marcada para 1º de fevereiro de 2027. A estratégia busca evitar que integrantes do grupo apoiem, de forma secreta, a reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
“Vou defender. É difícil justificar em público o voto no Alcolumbre, né?”, afirmou Marinho à reportagem.
Os senadores do PL devem se reunir nesta quarta-feira (4) para definir a estratégia e podem lançar oficialmente a candidatura de Marinho à Presidência do Senado. Além dele, Tereza Cristina (PP) também pretende disputar o comando da Casa.
A eleição é realizada por voto secreto, e Alcolumbre aposta no sigilo para conquistar parte do apoio de senadores de direita. Marinho, por outro lado, defende a divulgação dos votos como forma de evitar que parlamentares que se apresentam como oposição acabem apoiando o atual presidente do Senado.
Disputa dentro da direita
Dentro do PL, há divergências sobre a estratégia. Parte dos parlamentares defende a abertura de negociações com Alcolumbre após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial, com o objetivo de garantir espaço para a legenda no Senado.
Outro grupo prefere manter uma candidatura de oposição e avalia que há votos suficientes para disputar a Presidência da Casa.
A direita ampliou sua presença no Senado. O PL terá 29 senadores, enquanto o Novo terá três. Republicanos, PP, Podemos e PSDB somarão outros 15 parlamentares, em sua maioria eleitos com apoio do bolsonarismo. Para ser eleito presidente do Senado, um candidato precisa obter pelo menos 41 votos entre os 81 senadores.
Segundo as articulações citadas na reportagem, tanto Alcolumbre quanto Marinho afirmam contar com 48 votos. As duas estimativas, porém, incluem parlamentares que aparecem nas contagens dos dois grupos.
Relação com o bolsonarismo
A possibilidade de voto aberto é defendida por integrantes do bolsonarismo como uma forma de reduzir o risco de mudanças de posição durante a votação. Os parlamentares eleitos pela direita fizeram campanha com críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto Alcolumbre se posiciona contra o impeachment de ministros da Corte.
Alcolumbre já recorreu a uma estratégia semelhante em 2019, quando foi eleito pela primeira vez para presidir o Senado, com apoio do então presidente Jair Bolsonaro (PL). Na ocasião, ele tentou fazer com que a votação fosse aberta, mas a medida foi derrubada pelo STF em decisão liminar do ministro Dias Toffoli.
Mesmo com a manutenção do voto secreto, senadores declararam voluntariamente seus votos e chegaram a mostrar as cédulas antes de depositá-las na urna.
Histórico da disputa
Marinho já disputou a Presidência do Senado em 2023, quando foi derrotado por Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Pacheco recebeu 49 votos, contra 32 de Marinho. Após a derrota, o PL ficou sem a presidência de comissões consideradas relevantes e sem cargos na Mesa Diretora durante dois anos.
Em 2025, o partido decidiu apoiar Alcolumbre em troca de espaços na estrutura do Senado, incluindo a vice-presidência da Casa.
Agora, integrantes do bolsonarismo criticam a atuação de Alcolumbre e afirmam que ele teria atendido mais aos interesses do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que aos da oposição.
Entre os principais pontos de divergência estão a condução das discussões sobre a anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro de 2023 e a resistência à abertura de processos de impeachment contra ministros do STF.
Outro episódio citado pelos críticos foi a tramitação de uma proposta relacionada ao fim da jornada de trabalho no regime 6×1. Segundo a reportagem, a pauta era uma das bandeiras defendidas por Lula durante a campanha presidencial.
Na última terça-feira (27), a federação formada por União Brasil, partido de Alcolumbre, e PP lançou sua candidatura à reeleição. A maior parte dos senadores e senadores eleitos das duas siglas, porém,