No STF, Bolsonaro justifica reunião com embaixadores e diz que sempre lutou pelo voto impresso
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prestou depoimento nesta terça-feira (10), à Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da investigação sobre uma suposta trama golpista após as eleições de 2022. Durante o interrogatório, ele foi questionado pelo ministro Alexandre de Moraes sobre a reunião em que, ainda no exercício da Presidência, reuniu embaixadores estrangeiros para questionar a segurança das urnas eletrônicas brasileiras.
Moraes leu trechos da apresentação feita por Bolsonaro naquela ocasião, destacando declarações que indicariam tentativa de desacreditar o sistema eleitoral. “Exatamente quando se fala em manipulação de números após as eleições, quem manipula é quem ganhou. Aí também uma outra questão sobre isso. Tudo começa nessa denúncia que foi de conhecimento no Tribunal Superior Eleitoral, onde o hacker diz claramente que ele teve acesso a tudo dentro do TSE”, teria dito Bolsonaro na reunião.
Questionado se mantinha o que disse na reunião, Bolsonaro respondeu que o tema principal foi o inquérito da Polícia Federal sobre um ataque hacker ao sistema do TSE, e não uma acusação direta de fraude. Ele justificou o encontro como uma prerrogativa do cargo.
“O assunto foi outro, mas era se reunir com embaixadores, que é uma política privativa do chefe do executivo. Dois meses antes dessa minha reunião com os embaixadores, o senhor ministro Fachin também se reuniu com os embaixadores. E a ênfase foi que tão logo o TSE concluísse a apuração, os respectivos chefes de Estado deveriam então reconhecer o ganhador”, rebateu.
O ex-presidente alegou que sua intenção era “alertar” sobre vulnerabilidades do sistema eleitoral e voltou a defender o voto impresso. Desde 2012, no mínimo, eu sempre lutei pelo voto impresso. Nós estávamos na iminência de aprovar uma PEC dentro da Câmara dos Deputados que tratava do voto impresso. Quando então o senhor ministro Barroso foi lá para o parlamento, conversou com lideranças, no dia seguinte foram trocados os componentes da comissão especial. Nós perdemos a votação na comissão, depois o presidente resolveu levar para o plenário”, explicou o ex-presidente.
Bolsonaro também criticou o que classificou como criminalização da dúvida sobre as urnas e mencionou um projeto de lei no Senado que prevê pena de reclusão para quem questionar o processo eleitoral. “Eu acho que isso não é democracia, não é o que nós queremos, nós queremos, com certeza a vossa excelência quer e acredita no sistema, tudo bem a opinião do senhor, a minha opinião também, nós devemos buscar aí maneiras de evitar que isso aconteça”, afirma Bolsonaro.