Nos EUA, Wagner Moura critica Lei da Anistia e diz que sem Bolsonaro “O Agente Secreto” não teria existido
Durante agenda de divulgação do filme “O Agente Secreto” nos Estados Unidos, o ator Wagner Moura disse que sem Bolsonaro, o filme não teria existido. Ele foi entrevistado pelo apresentador Jordan Klepper no programa “The Daily Show”, na última sexta-feira (16). Durante a conversa, o brasileiro foi parabenizado pela conquista de dois prêmios no Globo de Ouro e comentou os temas políticos e históricos abordados no filme dirigido por Kleber Mendonça Filho.
Ao explicar a trama, Moura afirmou que a produção acompanha um homem que permanece fiel aos próprios valores mesmo diante de pressões para agir de forma contrária às suas convicções. Ambientado em 1977, o longa se passa durante a ditadura militar no Brasil e dialoga diretamente com reflexões sobre memória, democracia e autoritarismo.
Segundo o ator, apesar do fim oficial da ditadura em 1985, os reflexos daquele período ainda se fazem presentes no país. “Quando nós elegemos um presidente de extrema-direita em 2018, esse homem foi como uma manifestação física desses ecos”, declarou.
Wagner Moura também revelou que chegou a agradecer a Jair Bolsonaro em uma das premiações conquistadas em Cannes. “Sem ele, nunca teríamos feito esse filme. O filme nasce a partir da perplexidade compartilhada por mim e pelo diretor Kleber Mendonça Filho com o que estava acontecendo no Brasil entre 2018 e 2022”, afirmou o ator. “Este homem, eleito democraticamente, veio para trazer de volta valores da ditadura militar para o Brasil no século 21. Estávamos nos ligando: ‘como podemos reagir a isso?’”, acrescentou.
Durante a entrevista, Moura e Klepper discutiram ainda a importância de preservar a memória histórica para evitar a repetição de erros do passado. Nesse contexto, o ator fez críticas à Lei da Anistia, de 1979. “A lei basicamente perdoou todos os torturadores, assassinos e pessoas que fizeram coisas desprezíveis para os civis. Isso foi muito ruim para a nossa memória coletiva ou perda dela. Há coisas que não podem ser esquecidas, que não podem ser perdoadas”, disse.
Para o artista, parte desse processo começa a ser enfrentado com a punição de pessoas que atentaram contra a democracia, incluindo o ex-presidente. “Bolsonaro mesmo está agora na prisão. Eu espero que isso seja uma nova fase para os jovens brasileiros. Bolsonaro jamais teria existido, politicamente, se não fosse por essa lei que fez as pessoas esquecerem o quão ruim foi a ditadura”, concluiu.