ONG cobra governo Lula após ser citada como alvo de investigação sigilosa
A ONG Transparência Internacional enviou ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma carta com críticas, após ter sido mencionada como alvo de investigação policial em uma nota oficial do Ministério da Casa Civil. A organização afirma que a declaração atinge sua reputação e levanta dúvidas sobre o uso de informações sigilosas para rebater críticas ao governo federal.
O documento é assinado por François Valérian, presidente do conselho da Transparência Internacional, e foi endereçado aos ministros Rui Costa (Casa Civil), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) e Vinicius Carvalho (Controladoria-Geral da União), segundo informações do jornal Folha de S.Paulo.
A Casa Civil divulgou na última segunda-feira (5), uma nota à imprensa em que desqualifica um levantamento da entidade sobre obras federais e classifica a Transparência Internacional como “ONG investigada pela Polícia Federal”. O estudo apontava falta de transparência em projetos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma das principais vitrines do atual governo.
Segundo o levantamento da divisão brasileira da organização, apenas 6% de um total de R$ 1,3 trilhão em investimentos previstos pelo Novo PAC possuem informações detalhadas disponíveis ao público. O governo, por sua vez, afirmou que os dados estão acessíveis em seus canais oficiais e contestou as conclusões do relatório.
Na carta, Valérian afirma que a menção a uma suposta investigação é “de particular gravidade” e diz que a organização foi surpreendida pela declaração.
“Não há registro público dessa investigação. A TI Brasil nunca foi formalmente notificada de uma investigação, nem há documentação para embasar essa afirmação. Isso levanta questões sérias sobre como um órgão federal poderia admitir conhecimento de uma suposta ação policial e se informação confidencial está sendo impropriamente evocada com propósitos políticos”, diz o presidente da ONG.
A Transparência Internacional afirma ainda que, antes mesmo do episódio, já vinha denunciando ser alvo de assédio judicial e de campanhas de difamação no Brasil, o que, segundo a organização, ameaça a confiança pública e enfraquece mecanismos de controle e fiscalização de políticas públicas.