Professora, petista e apaixonada por Milton Santos: Rowenna chega à Alba com agenda própria
Às 4h40, Rowenna Brito já está de pé. Antes de entrar na rotina política, tenta encaixar atividade física, prepara o café e o lanche do enteado de 9 anos e parte para o trabalho. Desde domingo passado, porém, há uma novidade nessa rotina: com 137.266 votos, ela se tornou a deputada estadual mais votada do PT na Bahia.
Quando sobra tempo, corre na orla de Salvador e, mais recentemente, resolveu experimentar yoga.
“Estou fazendo yoga para ver se a cabeça fica no lugar”, brinca, em entrevista ao Se Ligue Bahia.
Na sua primeira eleição, figuras carimbadas do seu partido na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) ficaram assombradas com seu desempenho, mas ela garante que não tirou voto de ninguém. Nos bastidores, comenta-se que o governador Jerônimo Rodrigues (PT) seria o “padrinho” de sua candidatura. O petista, no entanto, nunca admitiu. A torcida era escancarada, porém, por Paulo Jerônimo, sobrinho do governador, a quem ele próprio já chamou de “segundo filho”.
“A gente tinha uma estratégia desde o começo, que era a estratégia da renovação da política. Não foi à toa que eu fui candidata, não foi à toa que Júlio [Pinheiro, eleito deputado estadual], Lucas [Reis, eleito deputado federal], que outros nomes, também foram candidatos. Então eu acho mesmo que as nossas vitórias nas urnas dão conta dessa renovação, desse desejo de uma outra política. Mas a nossa estratégia deu certo porque, na minha avaliação, desde o começo a ideia era: ‘Vamos fazer campanha para ampliar a bancada. A gente não quer perder ninguém, a gente quer ter mais pessoas’”, pontua.
Rowenna nasceu no Espírito Santo quase por circunstância. É de lá uma parte da família. Outra vem da região próxima a Vitória da Conquista, na divisa da Bahia com Minas Gerais. Os pais são trabalhadores rurais. A mãe, conta ela, trabalha na roça até hoje. Salvador foi atraindo pela educação. Foi estudar Geografia na Universidade Federal da Bahia (Ufba) e acabou se apaixonando por Milton Santos, para muitos o maior geógrafo do país.
“Quando eu conheci Milton Santos, descobri que não dava para estudar o ambiente sem estudar as pessoas. Aí pronto. Milton Santos tem muita influência no que eu fui construindo ao longo da minha vida na universidade À medida que os professores iam dizendo ‘tenho um livro de Milton Santos para falar do direito à cidade’, comecei a perceber que não dava para enxergar a cidade ou as interferências climáticas sem olhar também para a ocupação do solo. Então fui me formando nesse lugar”, diz.
Foi também na Ufba que Rowenna encontrou o movimento estudantil. No Instituto de Geociências (Igeo), com uma hegemonia masculina, Rowenna desembarcou numa turma de “90% de mulheres”. “A gente meio que dominou aquilo. Reestruturamos o centro acadêmico, provocamos os outros cursos para também terem centros acadêmicos e fomos reorganizando isso. Depois entramos no movimento estudantil da Ufba. Dessa turma de mulheres que estava lá, depois fomos para o DCE da Ufba, participávamos dos encontros, dos congressos da UNE. Foi nesse lugar que acabei me aproximando da política partidária”, conta.
Na Alba, Rowenna diz que educação, juventude e mulheres estarão no centro do mandato. Antes de assumir, porém, ainda há campanha pela frente. A eleição dela terminou no domingo, mas o ritmo não diminuiu, pois ela vai fazer campanha para Lula (PT) no segundo turno.
“Já estou nas ruas, já estou organizando a juventude. Sem descanso”, garante.
