Secretário de Jerônimo cobrou gestor do Master: “Amanhã vence os boletos”
Uma mensagem enviada por Eduardo Mendonça Sodré Martins, secretário do governo Jerônimo Rodrigues (PT) e enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA), a um gestor ligado ao Banco Master está entre os elementos analisados pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero. Em um dos trechos citados pela investigação, Eduardo escreveu: “Amanhã vence os boletos e são altos”, ao cobrar pagamentos de Augusto Ferreira Lima, apontado pela PF como um dos principais interlocutores do grupo investigado.
Segundo os investigadores, a conversa antecedeu uma transferência de R$ 3,5 milhões realizada em outubro de 2025 pela PKL One Participações S.A. para a BN Financeira Ltda., empresa vinculada a Eduardo Sodré. A operação é tratada pela PF como um dos principais pontos do eixo financeiro da investigação, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. As informações são do g1.
De acordo com os documentos, a PKL One é dirigida por Andréa Lima Novaes, apontada como prima de Augusto Ferreira Lima. A PF busca esclarecer se os valores transferidos correspondiam a serviços efetivamente prestados ou se teriam sido utilizados para dar aparência legal a repasses considerados indevidos.
Nos autos, a BN Financeira é descrita como uma empresa ligada ao núcleo familiar de Jaques Wagner. Os investigadores afirmam que a companhia recebeu quantias expressivas apesar de apresentar capital social reduzido e aparente baixa capacidade operacional, circunstância que reforçou as suspeitas e motivou novas diligências.
A investigação também aponta que Eduardo teria participado ativamente de cobranças relacionadas a pagamentos, notas fiscais e documentos necessários para a formalização das operações. Em mensagens analisadas pela PF, Augusto Lima teria atribuído dificuldades para quitar valores ao fracasso das negociações envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
Outro elemento citado pela investigação são planilhas encontradas no celular de Daniel Lopes Monteiro, apontado como operador jurídico-financeiro ligado ao grupo investigado. Segundo a PF, os arquivos registram pagamentos superiores a R$ 2,34 milhões destinados a uma pessoa identificada como “Dudu”, apelido atribuído a Eduardo Sodré.
No despacho que autorizou a operação, a Justiça determinou a suspensão das atividades econômicas e financeiras da BN Financeira. A medida foi adotada diante da suspeita de que a empresa teria sido utilizada para receber e ocultar supostas vantagens indevidas.
A defesa de Augusto Ferreira Lima afirmou que as diligências realizadas pela Polícia Federal foram desnecessárias e sustentou que ele está à disposição das autoridades há seis meses para prestar esclarecimentos. A defesa de Jaques Wagner não havia se manifestado sobre o caso até a última atualização desta reportagem.