Secretário de Jerônimo se posiciona contra a classificação do CV e PCC como grupos terroristas
Felipe Freitas afirmou que decisão dos Estados Unidos representa tentativa de interferência na soberania brasileira
O secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, se posicionou contra a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras.
A declaração foi feita nas redes sociais nesta quinta-feira (28), após o governo norte-americano anunciar a medida que passa a valer no próximo dia 5 de junho.
Na publicação, Felipe Freitas afirmou que as facções criminosas “não são organizações ideológicas” e disse que a classificação proposta pelos EUA representa uma tentativa de interferência internacional.
“As facções criminosas são grupos violentos que buscam o lucro asfixiando a vida do trabalhador. Não são organizações ideológicas e não disputam a tomada do poder do Estado”, escreveu o secretário.
O integrante da gestão Jerônimo Rodrigues também declarou que “tratar o crime organizado com seriedade exige compreender a sua real natureza financeira e comercial”.
Felipe Freitas ainda criticou diretamente a decisão dos Estados Unidos e classificou a medida como uma ação política.
“Classificar grupos como o CV e o PCC como ‘organizações terroristas’ é uma tentativa dos EUA de interferir na nossa soberania nacional”, afirmou.
O secretário também disse que a medida “serve apenas para justificar ingerências externas e intervenções militares na região, como já vimos acontecer na Colômbia e na Venezuela”.
Na publicação, o secretário de Justiça da Bahia afirmou ainda que o Brasil já possui legislação suficiente para combater organizações criminosas e minimizou qualquer impacto prático da classificação.
“A própria legislação brasileira de combate às organizações criminosas já prevê penas muito mais duras e eficazes do que a Lei Antiterrorismo. Portanto, não existe nenhuma vantagem jurídica ou prática para o nosso país em aderir a esta bravata retórica”, escreveu.
Freitas concluiu defendendo ações de inteligência e investigação financeira no combate às facções.
“O combate real e efetivo às facções faz-se com asfixia financeira, inteligência integrada e investigação profunda da lavagem de dinheiro, e não com confusão ideológica ou propaganda de redes sociais. Segurança pública séria exige soberania e ação estratégica”, completou.
A decisão do governo dos Estados Unidos foi anunciada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, que classificou o CV e o PCC como duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Segundo o comunicado, a medida foi adotada com base na legislação norte-americana de imigração e segurança nacional.