Suspeito de esquema de venda de decisões judiciais no STJ se entrega à PF e é preso
Diego Cavalcante estava foragido desde a deflagração da sexta fase da Operação Sisamnes, ocorrida na quarta-feira (14)
O empresário Diego Cavalcante, suspeito de atuar como operador financeiro em um esquema de vendas de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ), se entregou à Polícia Federal (PF) em Brasília nesta quinta-feira (15). Ele estava foragido desde a deflagração da sexta fase da Operação Sisamnes, ocorrida na quarta-feira (14), e agora cumpre mandado de prisão preventiva.
A Operação Sisamnes, supervisionada pelo ministro Cristiano Zanin no Supremo Tribunal Federal (STF), investiga um suposto esquema de vazamento e venda de sentenças em gabinetes do STJ, envolvendo servidores públicos. A PF identificou Cavalcante como responsável por movimentações financeiras com o lobista Andreson Gonçalves, apontado como intermediador das vendas de decisões judiciais. Gonçalves está atualmente em um presídio federal no Distrito Federal.
Na operação de terça-feira (13), a PF apreendeu veículos de Cavalcante em Brasília. As investigações revelaram que ele recebeu R$ 6,5 milhões de uma empresa ligada a Gonçalves, e sacou parte do montante em espécie. A continuidade das operações foi autorizada após indícios de obstrução da Justiça para dificultar o cumprimento das medidas judiciais.
Outro mandado de prisão também foi cumprido contra um advogado, que se entregou na quarta-feira (14).
Esquema de lavagem de dinheiro
A Polícia Federal revelou a existência de uma rede financeira-empresarial destinada à lavagem de dinheiro, montada para dissimular a origem ilícita das propinas pagas para a obtenção de decisões favoráveis no STJ. De acordo com as investigações, o esquema envolvia quatro modalidades principais de ocultação de recursos: saques e depósitos em espécie, uso de contas de passagem, emissão de boletos sem lastro real e operações de câmbio paralelo com doleiros.
As movimentações financeiras identificadas incluem transferências para servidores investigados, cujos rendimentos declarados não são compatíveis com o padrão de vida observado. O caso também abrange suspeitas de compra de terrenos de plantação de soja no Centro-Oeste, ligados a disputas judiciais com bancos que tramitam no STJ.