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Redação 10 de Outubro, 2025
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Cientistas brasileiros avançam em exame de sangue para diagnóstico precoce do Alzheimer

Saúde
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Redação 10 de Outubro, 2025

Pesquisas apontam proteína p-tau217 como biomarcador mais promissor para detectar a doença com mais de 90% de precisão

Dois estudos com participação de cientistas brasileiros trouxeram avanços significativos no diagnóstico do Alzheimer por meio de exames de sangue. As pesquisas, apoiadas pelo Instituto Serrapilheira, confirmaram o potencial da proteína p-tau217 como o principal biomarcador capaz de identificar a doença com alta precisão, superando 90% de desempenho e se aproximando do exame de líquor — considerado o “padrão ouro” pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Liderado por Wyllians Borelli e Eduardo Zimmer, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o estudo analisou amostras de 59 pacientes e se destacou por incluir populações de baixa escolaridade, geralmente sub-representadas em pesquisas internacionais. Os pesquisadores também observaram que fatores socioeconômicos e educacionais influenciam na progressão mais acentuada da doença.

Os resultados foram reforçados por uma revisão publicada na revista Lancet Neurology, que analisou dados de mais de 110 estudos com cerca de 30 mil participantes. Entre os 23 autores do trabalho estão oito brasileiros, incluindo Zimmer e Wagner Brum, doutorando da UFRGS. O levantamento confirmou o p-tau217 como o biomarcador mais promissor para detectar o Alzheimer em fases iniciais.

Segundo Zimmer, os achados “abrem caminho para que exames de ponta em neurociência cheguem ao Sistema Único de Saúde (SUS), democratizando o acesso ao diagnóstico precoce”. A previsão é de que os testes em escala nacional comecem ainda em 2025, com resultados esperados em até dois anos.