Estudo da Fiocruz aponta sequelas graves e risco elevado de morte em crianças com síndrome congênita do zika
Pesquisa com 843 pacientes revela alta incidência de epilepsia, alterações visuais e danos cerebrais em crianças afetadas pela epidemia no Brasil
Crianças diagnosticadas com microcefalia associada ao vírus zika no Brasil enfrentam um quadro amplo de sequelas neurológicas e sensoriais, com impactos profundos no desenvolvimento e na sobrevida. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publicado na revista Plos Global Public Health, identificou que mais de 50% dos pacientes desenvolveram epilepsia e déficits de atenção social, enquanto alterações oftalmológicas atingiram até 67% dos casos. Exames de imagem também apontaram calcificações cerebrais em aproximadamente 80% das crianças avaliadas.
A pesquisa é considerada a mais abrangente já realizada sobre a Síndrome Congênita do Zika (SCZ). Foram acompanhadas 843 crianças nascidas entre 2015 e 2018, período que concentrou a epidemia no país. A coleta de dados ocorreu em 12 centros de pesquisa distribuídos pelas regiões Norte, Nordeste e Sudeste, com avaliações clínicas detalhadas ao longo do desenvolvimento infantil.
Os resultados mostram que a microcefalia esteve presente ao nascimento em 71,3% dos casos, enquanto 20,4% das crianças desenvolveram a condição apenas após o período neonatal. Em grande parte dos pacientes, a microcefalia foi classificada como desproporcional, quando o tamanho do corpo está dentro do esperado para a idade, mas o perímetro cefálico é significativamente reduzido, situação associada a lesões cerebrais mais extensas.
Além das alterações neurológicas, foram observadas dificuldades de deglutição, rigidez muscular, espasticidade e outros comprometimentos motores. Fatores como prematuridade, baixo peso ao nascer e malformações congênitas agravaram o prognóstico. Segundo os dados do estudo, cerca de 30% das crianças com quadros mais graves morreram ainda no primeiro ano de vida, principalmente em decorrência de infecções e complicações respiratórias, reforçando a gravidade e a permanência das consequências da infecção pelo zika vírus.
– Com informações da FolhaPress, LAIZ MENEZES