Maior estudo do mundo revela impactos duradouros do vírus Zika na infância
Pesquisa analisou 843 crianças brasileiras
O maior estudo já realizado no mundo sobre os efeitos do vírus Zika na infância reuniu dados de 843 crianças brasileiras com microcefalia associada à infecção. A pesquisa analisou casos registrados entre 2015 e 2018, período marcado pela epidemia da doença no país, e contou com informações de 12 centros de pesquisa localizados nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste.
Publicado no fim de 2025 em uma revista científica internacional especializada em saúde pública, o levantamento permitiu, pela primeira vez, uma análise ampla e padronizada da Síndrome Congênita do Zika. Os dados mostram que a microcefalia causada pelo vírus apresenta características próprias, distintas de outras origens, com colapso das estruturas cerebrais após um desenvolvimento inicial aparentemente normal durante a gestação.
Entre os principais achados estão altas taxas de microcefalia ao nascer, casos de desenvolvimento tardio da condição, malformações congênitas e comprometimentos neurológicos severos. Exames de imagem apontaram calcificações cerebrais, dilatação dos ventrículos e atrofia cortical em grande parte das crianças analisadas, além de alterações sensoriais, como problemas visuais e auditivos.
O estudo também evidencia que os impactos do Zika são duradouros. Cerca de 30% das crianças acompanhadas já morreram, e as sobreviventes, atualmente em idade escolar, enfrentam dificuldades motoras, cognitivas e de aprendizagem. Diante da ausência de tratamento específico, os pesquisadores reforçam a importância da prevenção, do acompanhamento contínuo e da estimulação precoce para reduzir os danos e melhorar a qualidade de vida das crianças afetadas.