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Redação 08 de Janeiro, 2026
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SUS inicia aplicação de vacina contra dengue de dose única em três cidades

Saúde
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Redação 08 de Janeiro, 2026

Imunizante do Instituto Butantan será usado de forma piloto para avaliar impacto da vacinação em adultos e adolescentes

O Sistema Único de Saúde (SUS) dará início, a partir de janeiro, à aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan em um projeto piloto que envolve três municípios brasileiros. A imunização começa no dia 17 em Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, em Minas Gerais. Em Botucatu, no interior de São Paulo, a vacinação terá início no dia 18.

A estratégia tem como objetivo avaliar os efeitos da vacina de dose única com a imunização de, ao menos, metade da população dessas cidades. O público-alvo será formado por pessoas com idade entre 15 e 59 anos, faixa etária escolhida para medir o impacto da redução da circulação do vírus e da incidência da doença.

De acordo com o Ministério da Saúde, parte das primeiras 1,3 milhão de doses produzidas pelo Instituto Butantan será destinada a essa etapa inicial. Além da população geral, o primeiro lote também contemplará profissionais da atenção primária à saúde que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

A pasta informou ainda que a vacinação será ampliada gradualmente em todo o país, conforme o aumento da produção do imunizante. A expansão será possível por meio da parceria de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines. A previsão é iniciar a ampliação pela população mais velha, a partir dos 59 anos, avançando progressivamente até os 15 anos, conforme a disponibilidade de doses.

Atualmente, o SUS já oferece uma vacina contra a dengue em esquema de duas doses, produzida no Japão, voltada exclusivamente para adolescentes de 10 a 14 anos. A nova vacina do Butantan representa a primeira opção de dose única incorporada ao sistema público.

Nesta semana, o Instituto Butantan divulgou resultados de um estudo publicado na revista The Lancet Regional Health – Americas, indicando que o imunizante reduz significativamente a carga viral em pessoas infectadas, o que está associado a quadros mais leves da doença. A pesquisa analisou dados de 365 voluntários que apresentaram dengue sintomática entre 2016 e 2021 em 14 estados brasileiros.

Segundo os pesquisadores, mesmo nos casos de infecção após a vacinação, os níveis do vírus foram consideravelmente menores em comparação aos não vacinados, demonstrando a capacidade da vacina de induzir resposta imune e limitar a replicação viral. O imunizante foi aprovado pela Anvisa após cinco anos de acompanhamento de cerca de 16 mil voluntários e apresentou eficácia geral de 74,7% e de 91,6% contra casos graves e com sinais de alarme na faixa etária de 12 a 59 anos.