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Redação 09 de Julho, 2026
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Autor de chacina em cinema passa a frequentar shopping em Salvador e gera apreensão entre comerciantes

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Redação 09 de Julho, 2026

Condenado pelo ataque a tiros que deixou três mortos e nove feridos em uma sala de cinema do Morumbi Shopping, em São Paulo, Mateus da Costa Meira, de 51 anos, voltou a chamar atenção após passar a frequentar regularmente o Shopping Barra, em Salvador. Solto pela Justiça da Bahia em 2024, o ex-estudante de Medicina tem sido visto em cafés, livrarias e até nas salas de cinema do centro comercial.

Segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo, a presença de Mateus passou a causar apreensão entre lojistas e frequentadores. Fotografias dele circulam em grupos de WhatsApp, e comerciantes relatam desconforto ao encontrá-lo no shopping, que recebe cerca de 50 mil visitantes por dia e possui oito salas de cinema.

Morando sozinho a poucos quarteirões do local, Mateus costuma visitar o shopping com frequência. “Quando eu o vi pela primeira vez, fiquei em dúvida, porque ele está bem diferente. Mas logo a informação se espalhou no shopping, deixando os vendedores com medo”, afirmou a comerciante Janaína Chaseliov, de 34 anos.

O caso que o tornou conhecido nacionalmente ocorreu em 3 de novembro de 1999. Durante uma sessão do filme “Clube da Luta”, no Morumbi Shopping, Mateus entrou armado com uma submetralhadora e abriu fogo contra o público, matando três pessoas e ferindo outras nove.

No julgamento realizado em 2003, peritos concluíram que, apesar de apresentar transtornos mentais, ele tinha plena capacidade de compreender o caráter ilícito de seus atos. A Justiça entendeu que o ataque foi cuidadosamente planejado, destacando a compra da arma, da munição e as estratégias adotadas para dificultar sua identificação. Inicialmente, ele foi condenado a mais de 120 anos de prisão e enviado para cumprir pena em Tremembé.

Em 2004, Mateus foi transferido para a Penitenciária Lemos Brito, em Salvador. Durante o cumprimento da pena, atacou outro detento com golpes de tesoura, episódio que deu origem a um novo processo judicial. Nesse caso, a Justiça baiana acolheu o entendimento de que ele era inimputável e determinou sua internação no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico da Bahia por tempo indeterminado.

Durante o período em que permaneceu internado, laudos produzidos por profissionais da unidade apontaram que Mateus não demonstrava arrependimento considerado genuíno pelo ataque nem empatia pelas vítimas. Em uma das avaliações, afirmou que seu arrependimento era voltado, principalmente, às consequências que o crime trouxe para sua própria vida e para a família. “Quem está sofrendo sou eu e minha família”, declarou à equipe responsável pelo acompanhamento.

Em outro depoimento citado pela reportagem, o condenado disse lamentar não ter esperado mais alguns meses antes de cometer o atentado. Segundo ele, se tivesse concluído o curso de Medicina antes do crime, teria direito a cela especial em razão da formação superior, em vez de permanecer no sistema prisional comum.

Após permanecer mais de uma década internado, ele obteve autorização judicial para deixar a unidade em 2024. A decisão previa que continuasse o tratamento psiquiátrico sob acompanhamento da família e residisse com os pais.

Segundo a reportagem, porém, Mateus vive atualmente sozinho em uma quitinete em Salvador. O jornal também relata que, em depoimentos prestados à Justiça, os pais afirmaram ter sido agredidos pelo filho em diferentes ocasiões, incluindo um episódio em que o pai sofreu fraturas nas costelas.