Defensoria Pública da Bahia investiga operação policial que deixou 12 mortos em Fazenda Coutos
A Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA) abriu uma investigação para apurar as circunstâncias de uma operação da Polícia Militar que resultou na morte de 12 homens no bairro de Fazenda Coutos, no subúrbio ferroviário de Salvador.
A abertura do procedimento foi oficializada na edição do Diário Oficial desta quarta-feira (9), por meio de um Procedimento para Apuração de Dano Coletivo (PADAC).
Segundo a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), a ação foi desencadeada após denúncias de que um grupo fortemente armado, supostamente ligado ao Comando Vermelho (CV) em aliança com a facção A Tropa, havia invadido a região dominada pelo Bonde do Maluco.
Ainda conforme a SSP, os suspeitos foram baleados durante a troca de tiros, socorridos pelos próprios policiais e levados ao Hospital do Subúrbio, onde os óbitos foram confirmados.
Durante a operação, a polícia apreendeu 12 armas de fogo, entre elas submetralhadoras, revólveres e pistolas, além de rádios comunicadores, drogas, balanças de precisão e balaclavas.
Entre os mortos estão dois adolescentes de 17 anos. Um dos 12 homens ainda não foi identificado oficialmente. A lista divulgada pela SSP-BA inclui:
- Francisco Ariel Freire Santos, 27 anos
- João Cledison Santos Souza, 18 anos
- Uendel Vitor Rodrigues dos Reis, 20 anos
- Douglas Campos da Silva Batista, 27 anos
- Leidson Maxwel da Costa Silva, 27 anos
- Jackson Vitor Araújo dos Santos, 20 anos
- Félix de Oliveira Rodrigues, 19 anos
- Wendel Henrique Nunes dos Santos, 20 anos
- Davi Costa dos Anjos, 17 anos
- Paulo Ricardo Santos Pereira, 17 anos Samuel da Luz Nascimento de Sousa, 24 anos
A Defensoria Pública busca agora esclarecimentos sobre a conduta dos agentes envolvidos. O órgão solicitou reuniões com representantes da SSP-BA e da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), com foco no uso de câmeras corporais durante ações policiais.
A instituição também sugeriu a criação de um canal específico para denúncias de desaparecimentos após abordagens policiais, em parceria com a SSP e a Superintendência de Prevenção à Violência (SPREV).
Entre outras medidas, a Defensoria propôs a realização de uma audiência pública para discutir o aumento da letalidade policial no estado, com participação de entidades da sociedade civil e de órgãos públicos.