Entidades estudantis suspendem atividades em Salvador devido a escalada da violência: “Uma guerra não declarada”
A Associação de Grêmios e Estudantes de Salvador (Ages) e a União Estadual dos e das Estudantes (Uees) da Bahia anunciaram, nesta sexta-feira (28), a suspensão temporária de todas as atividades presenciais. A decisão afeta agendas, visitas, assembleias e ações em Salvador, diante do que as entidades classificam como uma “escalada de violência e insegurança”.
A medida foi comunicada por meio de nota nas redes sociais. Segundo as entidades, o ambiente escolar tem sido afetado por ameaças, intimidações e interferências de grupos criminosos nos territórios.
“Nos últimos meses, relatos de ameaças, intimidações, abordagens violentas e riscos dentro e fora das escolas tornaram-se rotina. A atuação dos grêmios estudantis e das entidades de representação, essencial para o fortalecimento da democracia escolar, está sendo comprometida por interferências externas e disputas de poderes paralelos, que se infiltram nos territórios, nos corredores escolares e nas comunidades”, dizem as entidades.
A Ages e a Uees afirmam que, apesar de terem adotado estratégias de proteção, como a substituição da identificação numérica por letras nos processos eleitorais e o reforço de acompanhamento, as ações não foram suficientes para conter o avanço da violência. De acordo com os grêmios, a responsabilidade pelo acompanhamento das ações deveria ser da Secretária Estadual da Educação.
“Na noite desta quinta-feira (27), em uma instituição de ensino de Salvador, após o fim de mais um processo eleitoral uma das chapas ao constatar que perdeu a eleição acionou integrantes deste poder paralelo na comunidade e repetiram-se as cenas de barbárie, violências e perseguições que quase vitimaram jovens inocentes em um determinado bairro desta cidade”, afirmam.
Para as entidades, Salvador vive “uma guerra não declarada” e criticam a falta de políticas públicas efetivas capazes de enfrentar as causas da violência e oferecer alternativas concretas para essa juventude. “Uma guerra que só tem perdedores! E entre esses perdedores, mais uma vez, estão jovens negros e negras, transformados em alvos, silenciados pela ausência de políticas públicas eficazes. Falta monitoramento, acompanhamento e presença efetiva do poder público na vida desses jovens, que, em sua grande maioria, são homens e mulheres negros e negras, periféricos, talentosos, capazes e merecedores de oportunidades que vão muito além do CRIME”, destacam os grêmios.
As atividades presenciais seguirão suspensas até que haja, segundo as entidades, “condições reais de segurança, convivência pacífica e proteção integral” nos territórios. “É urgente que os poderes públicos assumam seu papel, garantindo políticas que resgatem vidas, ofereçam caminhos dignos e protejam a juventude com educação, oportunidades profissional, distribuição de renda e cultura como estrategia de futuro desta cidade. A escola deve ser território de paz, de liberdade e de democracia, nunca de medo”, completa a nota.