Internas denunciam tortura, ameaças e convivência forçada com facção rival em presídio de Jequié
Internas do Conjunto Penal de Jequié foram encaminhadas à Delegacia Territorial na noite de terça-feira (29) para prestar esclarecimentos sobre um episódio de conflito envolvendo detentas dentro da unidade.
Durante os depoimentos, as mulheres apresentaram denúncias graves sobre a rotina no presídio. Segundo elas, há mais de um ano vêm ocorrendo situações recorrentes de violência, incluindo agressões físicas, tortura, assédio sexual, violência psicológica e cobranças ilegais. As suspeitas recaem sobre outras internas que se identificariam como integrantes de um grupo rival.
Os relatos indicam ainda que a administração da unidade teria ciência dos episódios, mas não teria adotado medidas eficazes para separar as envolvidas. De acordo com as detentas, vítimas e supostas agressoras continuam dividindo o mesmo módulo, o que tem intensificado o clima de tensão.
Outro ponto destacado foi uma decisão atribuída à direção do presídio no dia do ocorrido. Conforme as internas, presas que estavam em regime disciplinar — conhecido como “castigo” — teriam sido reintegradas ao convívio coletivo, sob a orientação de que os próprios conflitos fossem resolvidos entre elas.
As detentas também afirmaram que sofreram ameaças ao deixarem o presídio para prestar depoimento. Segundo os relatos, houve menção à possibilidade de um “derramamento de sangue” dentro do módulo.
Diante do cenário, as internas relataram medo e afirmaram que estão sendo obrigadas a conviver com integrantes de facções rivais, mesmo diante do risco à integridade física. Elas pediram a presença da imprensa e o acompanhamento de órgãos como o Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para garantir a apuração das denúncias. As informações são do Blog do Marcos Frahm.