Justiça condena grupo que usava Porto de Salvador para enviar drogas à Europa
Seis integrantes de uma organização criminosa foram condenados por envolvimento em um esquema de tráfico internacional de drogas que utilizava o Porto de Salvador como rota para envio de entorpecentes à Europa. As penas chegam a mais de 20 anos de prisão e foram aplicadas após investigação conduzida pela Polícia Federal no âmbito da Operação Descontaminação.
As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (24) pelo Ministério Público Federal (MPF). A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) à 2ª Vara Federal da Bahia.
De acordo com as investigações, o grupo utilizava o método conhecido como “rip-on/rip-off”, prática que consiste em esconder drogas dentro de contêineres de empresas exportadoras sem o conhecimento dos proprietários da carga.
Segundo o MPF, o objetivo era aproveitar a estrutura portuária da capital baiana para despachar entorpecentes, principalmente cocaína, para países europeus como Holanda, Bélgica e Espanha. As informações são do g1.
A apuração apontou que o esquema possuía uma estrutura organizada, com divisão de funções e participação de pessoas com acesso ao terminal portuário. Entre os recursos utilizados pelo grupo estavam informações privilegiadas sobre embarques, veículos clonados, lacres falsificados e apoio logístico para movimentação da droga.
Ainda conforme o Ministério Público, o chamado núcleo de inteligência da organização era formado por funcionários ligados ao porto, responsáveis por acessar sistemas internos e identificar contêineres posicionados em áreas menos monitoradas pelas câmeras de segurança.
Para circular no terminal, os investigados utilizavam veículos clonados e caracterizados com logomarcas de empresas prestadoras de serviço. A investigação também identificou casos de suborno a vigilantes para facilitar o acesso às áreas restritas.
O esquema contava ainda com a participação de técnicos de refrigeração cooptados para provocar falhas em contêineres. A estratégia gerava chamados de manutenção que justificavam a permanência dos criminosos dentro do terminal por mais tempo.
Após esconder a droga na carga, os integrantes da organização removiam os lacres originais dos contêineres e instalavam réplicas produzidas por meio de falsificação a laser. Os novos lacres reproduziam a mesma numeração dos originais, dificultando a identificação da fraude até a chegada da carga ao destino.
As penas definidas pela Justiça variam conforme a participação de cada condenado e os crimes atribuídos a eles. Os seis réus receberam sentenças que vão de 12 anos e 3 meses a 20 anos, 8 meses e 7 dias de prisão, todas em regime fechado, além do pagamento de multas.
Os condenados responderam por tráfico internacional de drogas, organização criminosa, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e falsificação de documento público. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados. Ainda cabe recurso da decisão.