Passageiro é interceptado em Salvador com mais de 200 unidades de Mounjaro presas ao corpo
Um passageiro que desembarcou no Aeroporto Internacional de Salvador foi flagrado transportando 222 unidades do medicamento Mounjaro fixadas ao corpo. O caso foi identificado pela Receita Federal e acendeu novo alerta sobre o avanço da produção e circulação irregular de versões manipuladas do produto na capital baiana.
A apreensão ocorreu no dia 15 de novembro, durante a fiscalização de um voo internacional operado pela companhia aérea TAP. Os dispositivos estavam ocultos sob a roupa do viajante e, segundo a Receita, tinham como possível destino laboratórios de manipulação em Salvador.
Atualmente, apenas uma empresa no Brasil possui autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para fabricar e comercializar o Mounjaro em escala industrial. Há, no entanto, permissão legal para manipulação individual da substância mediante prescrição médica para doses específicas.
O episódio ocorre dias após uma operação da Polícia Federal que desmantelou um grupo suspeito de fabricar ilegalmente medicamentos à base de tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro. Após a ação, entidades médicas protocolaram um pedido junto à Anvisa para que seja suspensa, de forma preventiva, a produção e a venda de versões manipuladas das chamadas “canetas emagrecedoras”.
Segundo a solicitação, a medida deve atingir não apenas a tirzepatida, mas também substâncias semelhantes, como semaglutida — já proibida em versões manipuladas —, retatrutida e outros compostos relacionados à classe dos agonistas de GLP-1 e GIP.
A Polícia Federal informou que o esquema investigado operava em escala industrial e sem atender aos padrões exigidos de segurança e qualidade. Entre os alvos da investigação está o médico baiano Gabriel Almeida, apontado como um dos principais envolvidos na falsificação e distribuição irregular do produto.
Criadas inicialmente para o tratamento de diabetes e, posteriormente, também utilizadas contra a obesidade, as canetas injetáveis ganharam popularidade no Brasil e passaram a integrar o centro de uma série de ocorrências envolvendo contrabando, falsificação e até roubos em estabelecimentos farmacêuticos.