Relatório da Operação Vérnix aponta supostas ligações financeiras entre Deolane e entorno do PCC
A defesa da influenciadora e advogada Deolane Bezerra afirmou que todos os valores atribuídos a ela possuem origem lícita e estão devidamente declarados. Os advogados também alegam que a influenciadora não teve oportunidade de prestar esclarecimentos ao longo dos quatro anos de investigação e dizem que irão comprovar judicialmente a origem de todos os recursos citados no processo.
As declarações foram dadas após a divulgação de trechos do relatório da Operação Vérnix, investigação que embasou pedidos de prisão preventiva e aponta supostas conexões financeiras entre Deolane e pessoas ligadas ao entorno familiar e financeiro da cúpula do PCC.
Segundo os investigadores, uma das pessoas mencionadas no documento é Francisca Alves da Silva, identificada como esposa de Alejandro Camacho, irmão de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como liderança da facção criminosa.
De acordo com a investigação, Francisca apareceu em levantamentos compartilhados entre diferentes frentes investigativas e em cruzamentos financeiros realizados por órgãos de inteligência. O relatório aponta que ela teria realizado transações diretas ou indiretas com Deolane.
Em um dos trechos analisados pelos investigadores, consta que “Francisca Alves da Silva, como pessoa física ou jurídica, manteve transações com Leonardo Camacho, assim como Deolane Bezerra Santos”.
As informações fazem parte de análises doLaboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), setor responsável por consolidar cruzamentos bancários e patrimoniais durante a apuração.
Ainda segundo o documento, o foco da investigação não está apenas em transferências financeiras isoladas, mas na possível formação de uma rede de relacionamento econômico entre pessoas físicas e jurídicas ligadas aos investigados. A apuração tenta identificar mecanismos que poderiam dificultar o rastreamento de recursos e dar aparência de legalidade às movimentações financeiras.
O relatório também cita análises de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), que apontariam operações envolvendo pessoas consideradas de risco e com histórico investigativo relacionado a organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Apesar das citações, os investigadores tratam as movimentações financeiras como elementos indiciários dentro do conjunto probatório apresentado à Justiça, e não como prova definitiva da prática de crimes.