STF recebe íntegra de dados do celular de Daniel Vorcaro antes de julgamento
Os gabinetes dos ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes confirmaram nesta segunda-feira (14) que receberam da Polícia Federal a íntegra do material extraído do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. A entrega ocorreu após determinação dos ministros, que enviaram ofícios cobrando acesso aos dados.
O relator do caso, ministro André Mendonça, havia resistido à liberação, alegando que disponibilizar o material poderia colocar em risco investigações em andamento e “tumultuar” o julgamento sobre a ligação entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Zanin e Mendes argumentaram que precisavam analisar todas as mensagens enviadas por Vorcaro, e não apenas o recorte feito pela PF. Moraes também cobrou que o espelhamento do celular fosse remetido a todos os ministros, afirmando que
“não cabe ao relator escolher quais documentos acessíveis ao colegiado”.
Julgamento marcado
Nesta terça-feira (15), o plenário do STF deve analisar o relatório da PF que aponta o envio de 52 mensagens de Vorcaro a Moraes entre 2023 e novembro de 2025, quando o ex-banqueiro foi preso preventivamente.
Entre os conteúdos, há referência a um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, além de pedidos de informações sobre operações policiais. Moraes nega qualquer contato com Vorcaro, e a PF informou que não conseguiu recuperar as respostas do interlocutor.
Disputa interna
O julgamento também deve decidir se abre investigação sobre a ligação entre Vorcaro e Moraes. A PGR pediu a anulação do relatório da PF, alegando que Mendonça autorizou o avanço das investigações sem comunicar a presidência do Supremo nem obter aval do plenário.
Em reação, Moraes divulgou um documento atribuído à PF que sugere direcionamento das apurações por Mendonça, mas o material não possui assinatura oficial nem timbre da corporação, sendo classificado como conjectura “sem valor probatório”. Moraes pediu ainda abertura de investigação contra Mendonça por abuso de autoridade e crime de responsabilidade, com julgamento marcado para 23 de setembro.