Estudo alerta para riscos de insuficiência cardíaca no uso prolongado de melatonina
Pesquisa apresentada em congresso da American Heart Association associa o consumo contínuo do hormônio a maior probabilidade de hospitalização e morte em pacientes com insônia
O uso contínuo de melatonina — suplemento popular para tratar a insônia — pode estar associado a um maior risco de insuficiência cardíaca, hospitalização e morte, segundo um estudo preliminar apresentado nesta segunda-feira (3) no congresso anual da American Heart Association (AHA).
Os pesquisadores analisaram dados de 130 mil adultos com insônia crônica, comparando usuários de melatonina por mais de um ano com pessoas que nunca utilizaram o hormônio. Os resultados apontam que o uso prolongado elevou em 90% o risco de insuficiência cardíaca ao longo de cinco anos, além de triplicar as chances de hospitalização por problemas cardíacos e dobrar a taxa de mortalidade geral.
“Os suplementos de melatonina podem não ser tão inofensivos como se acredita. Se nosso estudo for confirmado, isso poderá mudar a forma como os médicos orientam os pacientes sobre indutores do sono”, afirmou o autor principal, Ekenedilichukwu Nnadi.
A melatonina é um hormônio natural produzido pela glândula pineal, responsável por regular o ciclo do sono. Sua versão sintética é amplamente comercializada sem prescrição em países como Brasil e Estados Unidos.
Embora o estudo não tenha estabelecido uma relação de causa e efeito, os autores alertam para a necessidade de mais pesquisas sobre a segurança cardiovascular da substância.
O neurologista Lúcio Huebra, da Academia Brasileira do Sono, ressalta que, apesar dos possíveis riscos apontados, a melatonina é geralmente bem tolerada, com baixa toxicidade e poucos efeitos colaterais — como tontura, náusea e sonolência matinal. Ele destaca, no entanto, que o suplemento não deve ser usado indiscriminadamente.
Segundo Huebra, a melatonina é indicada apenas em casos específicos, como distúrbios do ritmo circadiano, jet lag, transtornos do sono em pessoas cegas e parassonias. Para insônia crônica, o tratamento de primeira linha deve envolver higiene do sono e terapia cognitivo-comportamental, reservando medicamentos para uso de curto prazo e em doses mínimas.
*Contém informações do FolhaPress