Tiago Correia: “O PSDB está na oposição e deve permanecer assim”
O deputado estadual Tiago Correia (PSDB), líder da oposição na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), avaliou como “bem remota” a possibilidade de o PSDB integrar a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) caso seja concretizada a fusão com o partido Podemos. A declaração contraria a expectativa expressa pelo próprio chefe do Executivo estadual.
Durante entrevista ao Se Ligue Bahia, Correia afirmou que o PSDB continuará na oposição, mantendo sua postura histórica de enfrentamento ao campo da esquerda. Ele destacou que o partido tem princípios sólidos e uma trajetória marcada pela busca do diálogo e pela construção de soluções políticas a partir de posições ideológicas claras.
Ao comentar sobre a saída de lideranças como Eduardo Leite e Raquel Lyra, que migraram para o PSD, o deputado considerou o movimento natural dentro do processo de reorganização partidária e disse que há também expectativa de atração de novos nomes para a legenda.
Leia a entrevista na íntegra:
SLB Entrevista – Deputado, primeiro gostaria de ouvir suas impressões sobre essa fusão entre o PSDB e o Podemos.
Tiago Correia: A legislação eleitoral força movimentos partidários. Eu costumo até dizer que não existe legislação perfeita — ela está sempre em mutação para combater os desequilíbrios políticos. Quando se percebe a formação de superpartidos, por exemplo, a legislação é alterada, e reorganizações acontecem. Isso já foi visto, como no caso da União Brasil, que veio da fusão de dois partidos tradicionais. Com o PSDB, não é diferente. É um partido com grande importância nacional, que participou das principais transformações do país — como o Plano Real, a criação do SUS — e agora caminha para essa fusão com o Podemos.
SLB Entrevista – No caso da União Brasil, a fusão acabou preservando mais as características do Democratas do que do PSL. Com o PSDB, o senhor acredita que a identidade tucana será mantida ou teremos uma nova roupagem? Essa união vai fortalecer ou diluir a identidade do PSDB?
TC: Acredito que o PSDB tem fundamentos sólidos e características marcantes. Sempre foi um partido do diálogo, que buscou conversar com todos os lados para construir soluções. Talvez por isso, em alguns momentos, não tenha sido compreendido. Mas esse é o nosso espírito, e acho que isso não mudará. Mesmo com a fusão, o direcionamento do PSDB é claro e não abriremos mão disso.
SLB Entrevista – Temos visto movimentos de fusão principalmente entre partidos de direita. O senhor acredita que essa união entre siglas seja uma estratégia para se contrapor à esquerda?
TC: Costumo dizer que cada um tem o seu posicionamento, e às vezes ele é mais forte até que o do próprio partido. Mas, se analisarmos o conjunto dos posicionamentos, é claro que o PSDB tem um viés mais à direita. Alguns dizem que é um partido de centro, mas, na prática, tem feito oposição à esquerda no Brasil.
SLB Entrevista – Então essas fusões — como essa do PSDB com o Podemos ou o surgimento da União Brasil — fazem parte de um movimento para enfrentar a esquerda no país?
TC: Não vejo exatamente como uma estratégia de enfrentamento. É mais um movimento natural de forças políticas que compartilham ideias semelhantes. A esquerda é consolidada, com partidos bem definidos e declaradamente posicionados. Já os partidos de centro e direita, que agora se unem, também têm seus propósitos claros e formam blocos com identidade de oposição à esquerda. Às vezes, há bandeiras em comum, mas os caminhos são diferentes.
SLB Entrevista – Após a fusão, o novo partido terá força para lançar um candidato à Presidência da República ou deverá apoiar outro nome?
TC: O PSDB sempre teve nomes competitivos e presença nas chapas majoritárias, seja lançando candidatos ou influenciando a escolha. Temos quadros preparados para integrar uma chapa presidencial. Mas essa construção não depende de um partido só. Provavelmente, será feita em conjunto com outras forças que queiram se contrapor ao candidato da esquerda, ao candidato do PT. Com certeza, o PSDB estará à mesa de negociação.
SLB Entrevista – Recentemente, o PSDB perdeu nomes importantes, como Eduardo Leite e Raquel Lyra. Como o senhor avalia esse impacto?
TC: É natural. Essas mudanças acontecem, e temos que estar preparados. Ao mesmo tempo, há a expectativa de atrair novos nomes. E, como eu disse, o PSDB segue com quadros consolidados e preparados para qualquer disputa, inclusive em nível nacional.
SLB Entrevista – E na Bahia, como fica o PSDB? A fusão pode mudar algo no estado, como uma independência maior ou alteração de liderança?
TC: Continuamos na oposição. Sou o líder da oposição na Assembleia Legislativa e lidero o bloco de deputados estaduais. Vamos aguardar a confirmação da fusão, mas acredito que, mesmo que algum membro tenha posição pessoal divergente, o partido seguirá o posicionamento majoritário. E esse posicionamento é claro: continuamos na oposição.
SLB Entrevista – O governador Jerônimo Rodrigues disse esperar que, com a fusão, o PSDB passe a integrar a base do governo. O senhor vê essa possibilidade?
TC: Acho uma possibilidade bem remota. Basta fazer uma análise do posicionamento da maioria do colegiado. O PSDB está na oposição e deve permanecer assim.