Estudantes da UFBA protestam contra cortes e denunciam precarização no campus de Vitória da Conquista
Estudantes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Vitória da Conquista, realizaram uma manifestação nesta quinta-feira (22) contra a Portaria nº 102/2025, publicada pela Reitoria da instituição. A medida prevê cortes em áreas consideradas essenciais para o funcionamento do campus e para a permanência dos alunos.
O protesto, de caráter pacífico, foi organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) e pelos Centros Acadêmicos do campus Anísio Teixeira.
Desde as primeiras horas do dia, estudantes se concentraram em frente ao portão principal da universidade, com cartazes que estampavam frases como “o dinheiro do povo deve voltar para o povo”, “liberdade não se curva” e “não vamos ser domesticados”.
Durante a mobilização, os discentes barraram a entrada dos professores e funcionários no pavilhão de aulas, o que levou à suspensão das atividades acadêmicas ao longo do dia. Apenas os setores ligados a serviços essenciais de atendimento e pesquisa mantiveram o funcionamento.
Em nota pública enviada à imprensa, o DCE da UFBA afirma que a portaria impõe cortes em serviços como segurança, manutenção predial, uso de elevadores, eventos acadêmicos e assistência estudantil.
Para o movimento estudantil, as medidas aprofundam a precarização da vida universitária e colocam em risco a permanência dos alunos, sobretudo os mais vulneráveis.
Entre as denúncias feitas pelos estudantes estão:
- Falta de segurança e iluminação na rua de acesso ao campus, aumentando o risco de assaltos, assédio e violência;
- Poucas linhas de ônibus atendendo diretamente à UFBA, obrigando muitos estudantes a caminharem por trechos perigosos e mal iluminados. Os discentes cobram da Prefeitura de Vitória da Conquista a publicação de uma portaria que regulamente o itinerário de linhas que contemplem o campus Anísio Teixeira, garantindo segurança e acesso adequado, especialmente no turno da noite;
- Elevador construído no prédio administrativo que nunca foi liberado para uso, prejudicando o acesso de pessoas com mobilidade reduzida;
- Atrasos nos auxílios permanência, comprometendo alimentação e moradia de diversos alunos;
- Restaurante Universitário (RU) com estrutura insuficiente e risco de fechamento devido ao corte de verbas.
Em entrevista ao Se Ligue Bahia, o diretor acadêmico do Centro Acadêmico de Psicologia afirmou que o movimento vai além de reivindicações pontuais.
“Essa portaria é reflexo de um descaso com o ensino público, principalmente no interior. Estamos lutando contra um modelo de gestão que coloca os mais pobres para escolher entre estudar e sobreviver. Não é só por segurança ou RU — é por dignidade e por permanência com qualidade,” disse.
A paralisação foi convocada como forma de pressionar a Reitoria por respostas e alertar a sobre a situação enfrentada no campus.
Até a publicação desta matéria, a administração central da UFBA não se pronunciou oficialmente sobre a manifestação nem sobre as denúncias apresentadas pelos estudantes.