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Redação 16 de Outubro, 2025
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Ex-vereador acusado de matar jovem grávida vai a júri popular na Bahia

Bahia
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Redação 16 de Outubro, 2025

Beatriz Pires desapareceu em janeiro de 2023, aos 25 anos; corpo nunca foi encontrado

O ex-vereador Valdnei da Silva Caires, conhecido como Bô, vai a júri popular nesta quinta-feira (16), em Barra da Estiva, no sudoeste da Bahia, acusado de envolvimento no desaparecimento e morte de Beatriz Pires da Silva, de 25 anos. A jovem, que estava grávida de seis meses e era mãe de uma criança de dois anos, desapareceu em janeiro de 2023 e o corpo nunca foi localizado.

Segundo as investigações da Polícia Civil, Beatriz foi vista pela última vez em 11 de janeiro de 2023, ao entrar em um carro do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, veículo utilizado com frequência por Valdnei, que na época exercia o cargo de vereador.

A polícia confirmou que a vítima e o político mantinham um relacionamento amoroso. De acordo com o Ministério Público da Bahia (MP-BA), o crime teria sido motivado pelo fato de o ex-vereador não aceitar que Beatriz tornasse pública a paternidade do bebê que esperava. “O acusado gozava de grande prestígio na cidade e temia a repercussão do caso”, diz o trecho da denúncia.

Valdnei foi preso em junho de 2023, após cumprimento de mandado de prisão preventiva por homicídio qualificado, e em julho do mesmo ano foi denunciado formalmente por feminicídio. Durante o andamento das investigações, o então parlamentar teve o mandato cassado por unanimidade pela Câmara Municipal de Barra da Estiva.

Histórico do caso

Antes de desaparecer, Beatriz teria contado à mãe, Célia Pires, que faria uma viagem com o pai do bebê. A mulher também revelou que a filha relatou pressão do suspeito para interromper a gestação.

“Ela comentou que ele queria que ela fizesse um aborto desse segundo bebê, que também era menino”, relembrou Célia em entrevista.

Carreira política

Aos 56 anos, Valdnei Caires é agricultor e foi eleito vereador pela primeira vez em 2008, pelo PCdoB. Reeleito em 2012 e 2016, concorreu novamente em 2020 pelo Progressistas (PP), conquistando o quarto mandato. Nas últimas eleições, declarou R$ 673 mil em bens, incluindo duas fazendas, dois carros e uma casa.

Em 2023, ocupava o cargo de presidente da Câmara Municipal, mas renunciou ao posto após o início das investigações. Mesmo afastado da presidência, manteve o mandato até ser preso. O ex-vereador não disputou o pleito municipal de 2024.