Ginecologista é indiciado após 16 denúncias de importunação sexual
O ginecologista Elziro Gonçalves de Oliveira, de 71 anos, foi indiciado por importunação sexual pelo Ministério Público (MP), após denúncias de 16 pacientes por crime sexual em 2023. Sete denúncias foram feitas também ao Conselho Regional de Medicina (Cremeb).
Em nota, a Polícia Civil informa que a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam/Brotas) encaminhou 13 inquéritos à justiça entre os dias 22 de janeiro e 7 de fevereiro.
Sete denúncias também foram feitas ao Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb). O médico foi indiciado em seis processos e outros sete estavam prescritos. Outros três casos ainda estão sendo apurados pelo órgão.
Segundo informações da TV Bahia, três denúncias foram arquivadas e quatro estão sendo apuradas pelo órgão. O Cremeb instalou um processo ético-profissional para investigar a conduta do homem, que tem o prazo de até 30 dias para apresentar a sua defesa. O médico negou as acusações e afirmou que “permanece a disposição das autoridades, firme no propósito de recuperar a sua honra”.
DENÚNCIAS
Os registros dão conta que as importunações começaram há 10 anos e as primeiras denúncias vieram à tona em julho do ano passado.
Elziro Gonçalves de Oliveira trabalhava há 30 anos no centro médico do plano Caixa Assistência dos Empregados do Baneb (Casseb), em Salvador. Segundo uma mulher, que preferiu preservar a sua identidade, ela tinha acabado de passar por uma separação em um relacionamento quando foi a uma consulta com o ginecologista. Durante o atendimento, o homem teria perguntado se ela namorava e após a resposta negativa, ele teria falado: “Mas como é que uma mulher bonita e gostosa como você não tem namorado?’ Ele também perguntou: ‘Você já fez sexo anal? Você sabe onde é o seu ponto G?’. Assustada com a situação, a paciente diz ter ficado sem reação diante da violência. Não satisfeito, o homem perguntou: ‘Você quer que eu te masturbe?’. A mulher conta que negou dando um salto da maca.
Além das pacientes, uma enfermeira de 33 anos, que atualmente vive em outro estado e preferiu não se identificar, estava na terceira consulta com o ginecologista, quando sofreu os abusos. A mulher conta que chegou ao consultório e entrou no banheiro para trocar de roupa. O ginecologista teria dito: “Engraçado, né menina? Tem paciente que troca de roupa na minha frente. Você entrou no banheiro e ficou com vergonha, foi?”. Dentro do banheiro, a mulher contou que não respondeu o comentário do médico. Quando saiu, ela percebeu que ele colocou uma quantidade de lubrificante maior do que o normal, no momento que introduziu o espéculo e fez o movimento de vai e vem. “Eu achei estranho, mas me senti, assim, impotente de falar alguma coisa, né?”, relatou. Ainda segundo a mulher, após o procedimento, o médico teria perguntado se ela tinha namorado e se o casal se masturbava. “Quantos centímetros tem o pênis do seu namorado? Porque não é qualquer homem que vai satisfazer você não”, contou.