O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) recomendou a suspensão imediata de atividades turísticas na Igreja de São Miguel das Figuras, localizada em Jacobina, na Chapada Diamantina. A medida visa proteger o templo e seu entorno, que se encontram em risco de desabamento, além de garantir a segurança dos visitantes.
A recomendação, expedida na última sexta-feira (5), foi direcionada à agência de turismo 074 Trekking e à Associação Payayá de Guias e Condutores Ambientais de Jacobina, após a constatação de que um evento estava sendo planejado sem medidas adequadas de proteção ao patrimônio histórico-cultural.
Segundo nota técnica do Núcleo de Defesa do Patrimônio Histórico Artístico e Cultural do MP-BA (Nudephac), a situação do local exige ações emergenciais, como isolamento da área, escoramento das estruturas mais comprometidas e controle da poluição ambiental.
A promotora de Justiça Gabriela Gomes Cerqueira Ferreira destacou que a manutenção das atividades turísticas sem as devidas precauções representa risco tanto à preservação do templo quanto à integridade física dos visitantes.
“É fundamental que medidas cautelares sejam implementadas antes da realização de qualquer evento, a fim de evitar acidentes e garantir a proteção desse patrimônio de grande relevância histórica”, afirmou.
Medidas recomendadas pelo MP-BA
O órgão orientou que as atividades turísticas sejam realizadas a uma distância mínima de oito metros da igreja e das ruínas, além de proibir descarte irregular de resíduos e emissão sonora acima de 60 decibéis.
Também foi solicitado que a 074 Trekking suspenda eventos de trekking ou similares na região até que as condições de segurança sejam restabelecidas. Já a Associação Payayá deve evitar a promoção de trilhas e passeios que envolvam o acesso ao templo sem as medidas de proteção necessárias.
Histórico de abandono
Relatórios do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) já alertavam, há mais de uma década, para a necessidade urgente de preservação do templo, construído no início do século XVIII por promessa do bandeirante Romão Gramacho.
A última missa foi celebrada em 1975, pelo padre Alfredo Haasler, que dedicou parte da vida à comunidade local e reformou a igreja duas vezes. Após sua saída e posterior falecimento, em 1996, o local foi abandonado e passou a sofrer com ações do tempo, quedas de raios, incêndios e saques de partes da estrutura.
A região, conhecida pela intensa atividade de garimpo, também foi alvo de lendas envolvendo tesouros escondidos por Romão Gramacho, o que contribuiu para a degradação do patrimônio.
Atualmente, a igreja é considerada um importante marco histórico e cultural da Chapada Diamantina, mas enfrenta ameaça real de colapso estrutural.