Inauguração de usina marca novo ciclo da pesca artesanal em Bom Jesus dos Passos
A comunidade de Bom Jesus dos Passos, na Baía de Todos-os-Santos, celebra um marco histórico com a inauguração da primeira Usina de Beneficiamento de Pescado da região, realizada nesta quinta-feira (16).
O equipamento é resultado de uma cooperação técnica internacional entre a ONG italiana Associação Amici di Sardegna ETS e a Fundação Baía Viva, dentro do projeto “Apoio ao saber-fazer das mulheres”, que também conta com o apoio da Colônia de Pescadores Z3.
Com 100 metros quadrados de área, a usina conta com estrutura completa para processamento do pescado — bancadas, pias, caixas coletoras, depurador, fogão e freezers. No espaço, os mariscos passarão por etapas de lavagem, limpeza, cozimento, catação e congelamento, garantindo mais qualidade e rastreabilidade aos produtos. Além disso, as marisqueiras receberão capacitação para a produção de novos derivados, como linguiça, hambúrguer e patês de marisco.
A presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB) e da Fundação Baía Viva, Isabela Suarez, destacou a relevância social e econômica do projeto.
“Esse projeto vai agregar muito valor a tudo o que já é captado do mar. Mais importante do que isso é garantir que as marisqueiras sejam beneficiadas diretamente, reconhecendo o potencial do trabalho que elas já realizam há tanto tempo. Isso impacta diretamente na qualidade de vida dessas mulheres, fortalece sua autoestima e permite que elas assumam o protagonismo de suas próprias histórias”, afirmou.
O presidente da Associação Amigos da Sardenha, Roberto Copparoni, também reforçou a importância da parceria internacional.
“Nosso trabalho não acaba aqui. Agora vamos iniciar um novo percurso de cooperação junto com a comunidade e a Fundação Baía Viva. Depois de dar a volta ao mundo, percebo que todas as pessoas podem ser cidadãs do mundo, e é isso que vejo aqui”, disse.
Nascido na ilha, o engenheiro ambiental e coordenador do projeto, Jonatas Silva, destacou o impacto direto para os moradores.
“Trabalhei desde os meus 17 anos com os pescadores daqui e aos 23 tive a oportunidade de estudar e me formar. Desde 2021, voltei a morar na ilha para contribuir com a comunidade. Agora entramos em um processo que garante qualidade ao produto e mais ganho financeiro. Vamos poder assegurar ao consumidor que nosso pescado é livre de contaminação”, explicou.
Entre as beneficiadas está a marisqueira Joseane Falcão, de 47 anos, que vê na usina uma oportunidade de transformar o ofício em mais renda e reconhecimento.
“Moro na ilha desde que nasci, sou marisqueira e amo o que faço. Minha mãe e minha avó também foram marisqueiras. Agora, com a usina, a gente vai poder melhorar o produto e garantir um futuro melhor”, disse.
A iniciativa inaugura uma nova etapa de desenvolvimento sustentável para a pesca artesanal, promovendo inclusão produtiva, fortalecimento do protagonismo feminino e preservação do conhecimento tradicional na Baía de Todos-os-Santos.