Licitações do governo da Bahia fracassam e deixam R$ 134 milhões em obras sem aplicação
Processos foram conduzidos pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder) entre o fim de 2025 e 2026
Pelo menos 12 licitações abertas pelo governo da Bahia para obras e projetos de engenharia terminaram sem contratação de empresas, deixando de movimentar cerca de R$ 134 milhões previstos para intervenções em 13 municípios. Os processos foram conduzidos pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder) entre o fim de 2025 e 2026. As informações foram divulgadas pelo Portal Correio.
Do total, 11 licitações foram classificadas como “desertas”, quando nenhuma empresa apresenta proposta, enquanto uma foi considerada “fracassada”, situação em que há interessados, mas todas as propostas acabam desclassificadas.
Os municípios afetados são Candiba, Chorrochó, Ipiaú, Itiúba, Jitaúna, Paramirim, Paratinga, Salvador, Serra Dourada, Simões Filho, Sítio do Mato, Sobradinho e Wanderley.
Obras escolares concentram maior valor
Entre os processos que não avançaram, o de maior orçamento previa a construção, ampliação e reforma de unidades escolares em sete municípios: Chorrochó, Wanderley, Paratinga, Sobradinho, Paramirim, Candiba e Serra Dourada.
O edital, lançado em agosto e financiado pela Secretaria da Educação, estimava investimento de R$ 62,8 milhões, com prazo de execução de 24 meses. Apesar do valor, nenhuma empresa apresentou proposta para assumir os serviços.
Outra licitação de grande porte previa uma obra de macrodrenagem em Ipiaú, no Médio Rio de Contas. O projeto tinha orçamento inicial de R$ 40,78 milhões e prazo de 27 meses, mas também terminou sem empresas interessadas.
Para tentar atrair concorrentes, a Conder modificou o edital que será lançado novamente em setembro. O orçamento foi elevado em aproximadamente R$ 5,9 milhões, passando para R$ 46,7 milhões, enquanto o prazo de execução aumentou de 27 para 30 meses.
Construção de moradias também não avança
Em Jitaúna, outra obra que não conseguiu atrair empresas prevê a construção de 49 unidades habitacionais. O projeto possui orçamento estimado em R$ 8 milhões e prazo de execução de 15 meses.
A licitação deverá ser republicada para tentar encontrar uma empresa interessada em executar os serviços.
Na capital baiana, um projeto para requalificar casarões do Centro Histórico também enfrentou dificuldades. O governo abriu dois processos para contratar uma empresa responsável por levantamentos e elaboração dos projetos básico, executivo e complementares.
O primeiro, realizado em novembro de 2025, foi considerado fracassado. Já o segundo, aberto em junho de 2026, terminou deserto. Ambos tinham orçamento de aproximadamente R$ 1 milhão e prazo de execução de 120 dias.
Entre as alterações feitas no segundo edital esteve a possibilidade de participação de consórcios.
Procurada, a Conder não havia se manifestado até a publicação da reportagem.