Mendonça determina afastamento do diretor-geral da PF em meio à crise no STF
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A decisão também alcança o delegado Leandro Almada, diretor de Inteligência Policial da corporação. As informações foram divulgadas na coluna de Malu Gaspar, no O Globo.
Segundo Mendonça, a medida busca garantir que ministros do STF, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e servidores da Polícia Federal possam exercer suas funções “sem constrangimentos ilegais”.
O ministro afirmou ainda que vem sendo monitorado pela Polícia Federal há mais de 30 dias.
A decisão foi tomada durante a análise de um pedido apresentado pelo partido Novo, que solicitou providências para preservar a independência e a integridade das investigações relacionadas aos casos Banco Master e INSS.
O partido havia pedido a prisão de Andrei Rodrigues após um relatório de aproximadamente 200 páginas apontar menções ao diretor-geral da PF no celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Mendonça, no entanto, decidiu pelo afastamento temporário do cargo.
Relatórios de inteligência
Mendonça também determinou a suspensão da produção, elaboração ou compartilhamento de relatórios de inteligência que tenham como objetivo analisar atos praticados no exercício das funções de integrantes do Judiciário, da advocacia pública ou da polícia judiciária.
Na decisão, o ministro afirmou que o afastamento cautelar de agentes públicos pode ser adotado quando houver elementos concretos e risco de utilização indevida das prerrogativas funcionais.
De acordo com Mendonça, a permanência dos envolvidos nos cargos poderia representar risco à coleta de provas, às investigações e aos procedimentos administrativos relacionados aos fatos apurados.
Os relatórios citados no caso, conforme informações divulgadas anteriormente, não possuem autoria identificada, não apresentam o brasão da República e também não seguem a padronização esperada para documentos desse tipo, conforme as normas da Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública.
Mensagens entre Vorcaro e Moraes
Na segunda-feira (7), Mendonça encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Nas conversas extraídas do celular do banqueiro, Vorcaro teria mencionado a necessidade de contar com a atuação de Andrei Rodrigues e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Em uma das mensagens, enviada antes da primeira prisão de Vorcaro, em novembro de 2025, o banqueiro teria pedido a Moraes que tentasse fazer com que Andrei Rodrigues adiasse uma operação envolvendo o banco.
O conteúdo passou a integrar a apuração sobre possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master e também aumentou a tensão entre integrantes do Supremo.
A crise se intensificou depois que relatórios atribuídos à Polícia Federal foram utilizados para levantar acusações contra Mendonça relacionadas à condução das investigações sobre os casos Banco Master e INSS.
As apurações envolvem suspeitas de esquemas bilionários e alcançam diferentes grupos e lideranças políticas.