Professores de universidades federais pedem aumento salarial, governo não cede, mas greve não é previstas
Aulas não estão suspensas e categoria entende que greve não é a melhor opção
Os professores das instituições federais de ensino superior da Bahia têm reivindicado uma recomposição salarial junto ao governo federal. Após servidores do Setor Administrativo da Universidade Federal da Bahia (Ufba) entrarem oficialmente em greve nesta segunda-feira (11), surgiu a especulação de que os professores também fossem parar suas atividades.
Ao Se Ligue Bahia, o diretor de comunicação do Sindicato dos Professores Universitários da Bahia (APUB), Jailson Alves, disse que a categoria está atenta às movimentações de negociação com o governo, reivindicando aumento salarial de 4,5% ainda este ano e que a greve por tempo indeterminado não é uma das primeiras opções como medidas a serem tomadas.
“A bem dizer não é aumento, é uma recomposição salarial, principalmente porque recupera apenas parte da inflação do ano passado e a defasagem que vem acumulada de cerca de 35% dos nossos salários quando a gente considera o patamar de 2015”, pontuou.
A APUB representa professores da UFBA, IFBA, UFRB, Unilab e UFOB. Apesar da reivindicação de recompor 4,5% até maio de 2024, o governo federal “não quer ceder” e fez a proposta de aumentar 4,5% em 2025 mais 4,5% em 2026. No ano passado houve um aumento de 9% no saladrio mais um aumento de 50% no vale-refeição.
Sobre as manifestações, segundo Jailson, há uma ideia entre profissionais de que a realização de uma greve por tempo indeterminado seria ruim para a categoria. No entanto, isso tem que ser ouvido nas assembleias, cuja próxima está prevista para amanhã às 14h na Escola Politécnica da UFBA.
“Nós devemos acolher as propostas dos professores, principalmente no que diz respeito as formas atuais de reivindicação. Que a greve é o mais extremado delas e a gente quer negociar com o governo pra não chegar nesse limite”, afirmou Jailson.
Os professores discutem ideias de atividades para ocupar os campi das universidades, como alternativas a greves. Há a possibilidade de uma paralisação, mas a data ainda não foi determinada. Existe uma proposta de data de paralisação do serviço público federal para o dia 3 de abril, mas ainda em construção.
“A nossa ideia é que a gente possa continuar o diálogo governo e que ele reconheça que a recuperação da inflação é um direito da classe trabalhadora para que ela mantenha seu poder de compra”, disse.
“Tá na mão do governo agora acatar nossa contra proposta, que é invés de ter um aumento em 2025, já ter em 2024 e deixar 2026 para negociação no futuro”, completou.
As aulas não foram suspensas. “E se a diretoria entender o que a categoria da APUB está propondo não vai ser suspensa porque é um tipo de mobilização que esvazia ainda mais a universidade”, considerou o diretor.
Ele reforçou que a universidade tem sido esvaziada. A dinâmica de antes da pandemia ainda não foi retomada, estudantes estão desmotivados, cursos como o de licenciatura estão esvaziados e a categoria entende que a greve vai esvaziar ainda mais. “O que a APUB defende é outras formas de manifestação”, pontuou.