Caminhoneiros suspendem greve e dão prazo de sete dias para negociação com o governo
Categoria aguarda reunião em Brasília e cobra ajustes em medida provisória sobre frete e redução no preço do diesel
Caminhoneiros decidiram suspender a deflagração de uma greve nacional e estabelecer um prazo de sete dias para avançar nas negociações com o Governo Federal. A decisão foi tomada em assembleia no Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista (Sindicam), com nova reunião marcada para quinta-feira (26), quando o movimento será reavaliado.
A estratégia, segundo lideranças da categoria, é priorizar o diálogo antes de qualquer paralisação. De acordo com a CNN, o presidente do sindicato, Luciano Santos, afirmou que a intenção é buscar soluções por meio de negociação direta com o governo.
O principal foco de tensão é a Medida Provisória 1.343/2026, que trata do cumprimento do piso mínimo do frete. O texto prevê que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) passe a monitorar integralmente os fretes realizados no país e endureça as punições para empresas que descumprirem as regras.
Apesar de parte dos caminhoneiros considerar a proposta um avanço, há críticas em relação a pontos técnicos. Entre as reivindicações estão mudanças nas normas de seguros, ajustes nos critérios de gerenciamento de risco (GR) e maior precisão na aferição do peso das cargas.
Uma reunião entre representantes da categoria e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, está prevista para quarta-feira (25), em Brasília, e é considerada decisiva para o rumo das negociações.
Além das questões regulatórias, o aumento do preço do diesel segue pressionando o setor. Desde o fim de fevereiro, o combustível acumula alta de 18,86%, reflexo da instabilidade no mercado internacional de petróleo, agravada por tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Diante desse cenário, o governo federal anunciou medidas para conter os impactos, como a zeragem das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel e articulações com estados para reduzir o ICMS sobre o combustível importado.
Paralelamente, a fiscalização em postos foi intensificada por órgãos como a Polícia Federal e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com foco no combate a práticas abusivas de preços.