Igreja Universal é condenada a pagar R$ 100 mil ao pastor que foi obrigado a fazer vasectomia
Um pastor denunciou a Igreja Universal por ter sido obrigado a fazer uma vasectomia como condição para conseguir entrar na instituição. A igreja foi condenada pela Justiça do Trabalho a indenizar o pastor em R$ 100 mil. A decisão foi confirmada pela Terceira Turma do Tribunal Regional do Trabalho do Ceará (TRT-CE).
De acordo com o relato do pastor, a igreja organizou todo o procedimento, levando-o a uma clínica clandestina, onde a cirurgia foi realizada sem consentimento formal, assinatura de documentos ou explicação sobre os riscos. Ele contou que a esterilização era uma exigência imposta a todos os membros do alto escalonamento religioso.
Além disso, duas testemunhas confirmaram a versão. Uma delas foi revelada ter sido obrigada a realizar uma vasectomia pouco depois de casar, enquanto outra afirmou que pelo menos 30 pastores passaram pelo mesmo procedimento sob coação da igreja.
A juíza Christianne Fernandes Diógenes Ribeiro afirmou que o abuso da instituição ao impor a esterilização aos trabalhadores violou os princípios fundamentais da dignidade humana e dos valores sociais do trabalho.
“A exigência da submissão ao procedimento de vasectomia, conforme evidenciado pelos depoimentos, viola de forma flagrante diversos dispositivos normativos. Além disso, tal conduta ultrapassa todos os limites econômicos e afeta de forma permanente e irreversível a vida dos trabalhadores”, disse a juíza.
A Igreja Universal, por sua vez, negou todas as acusações e informou que vai recorrer a decisão. “A Universal jamais forçou o ex-pastor em questão — ou qualquer outro — a realizar uma suposta vasectomia. A decisão de fazer uma cirurgia desse tipo é totalmente particular e não pode causar ingerência de terceiros.”