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Redação 27 de Março, 2025
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Mulher que pichou estátua no 8/1 disse que foi levada pelo ‘calor do momento’

Brasil
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Redação 27 de Março, 2025

Débora Rodrigues dos Santos alegou que não invadiu nenhum prédio e atendeu pedido de desconhecido para escrever em estátua

A cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, conhecida por pichar a estátua “A Justiça” durante os ataques de 8 de janeiro de 2023, afirmou em depoimento que agiu impulsionada pelo “calor do momento”. Em audiência realizada em novembro passado, ela pediu perdão e garantiu que não repetiria a ação. A gravação do depoimento foi anexada ao processo nesta quarta-feira (26), após a retirada do sigilo pelo ministro Alexandre de Moraes.

Débora, de 39 anos, alegou que não invadiu nenhum prédio na ocasião e que apenas atendeu ao pedido de um desconhecido para ajudá-lo a completar a frase “perdeu, mané” na escultura. Segundo ela, o homem já havia iniciado a pichação e solicitou sua colaboração, alegando ter uma letra ruim. A cabeleireira disse não conhecer o valor simbólico e financeiro da estátua e admitiu que faltou malícia ao aceitar a solicitação.

Presente na praça dos Três Poderes no dia dos ataques, Débora afirmou que entrou em pânico ao ver as vidraças quebradas e decidiu sair do local antes da chegada dos policiais. Após o episódio, retornou ao acampamento em frente ao quartel-general do Exército, onde estava desde o dia 7 de janeiro. Moradora de Paulínia (SP), ela disse ter viajado para Brasília em um ônibus, pagando R$ 50 pela passagem.

A defesa da cabeleireira destaca que, ao longo do depoimento, ela se mostrou arrependida e reconheceu o erro. Débora afirmou que sempre seguiu a lei e que, uma semana antes, havia repreendido o próprio filho sobre a ilegalidade de pichar muros. “Eu não sei o que aconteceu comigo naquele momento, me arrependo muito”, disse.

Mesmo presa desde março de 2023, Débora relatou que recebe tratamento adequado no sistema prisional. No entanto, afirmou que desenvolveu crises de ansiedade e que seus filhos, menores de idade, enfrentam dificuldades emocionais. Um deles ficou mais retraído, enquanto o outro passou a sofrer bullying e demonstrar agressividade. Ambos estão em acompanhamento psicológico.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Débora em maio de 2024, acusando-a de crimes contra o Estado democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado. Segundo a PGR, sua participação nos atos não se limita à pichação da estátua, mas ao incentivo à ruptura democrática.

O julgamento de Débora começou na sexta-feira (21), com o relator Alexandre de Moraes votando por uma condenação de 14 anos de prisão, acompanhado pelo ministro Flávio Dino. Entretanto, na segunda-feira (24), o ministro Luiz Fux pediu mais tempo para analisar o caso e sinalizou que pode sugerir uma revisão da pena. Segundo Fux, é necessário avaliar melhor o contexto em que a acusada se encontrava.

A cabeleireira tornou-se um dos símbolos do movimento bolsonarista que defende a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. O deputado Luciano Zucco (PL-RS), líder da oposição na Câmara, questionou a pena proposta, afirmando que há um “movimento político e não jurídico” nas condenações. “Por causa de um batom e de uma frase dita por um ministro, ela pode pegar 14 anos”, declarou.