OAB diz que PL do aborto é ‘flagrantemente inconstitucional e atroz’
Caso aprovado o PL, parecer pede que tema seja levado ao Supremo Tribunal Federal (STF)
O Conselho Pleno da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aprovou, nesta segunda-feira (17), por aclamação, um parecer que define como inconstitucional, inconvencional e ilegal o projeto de lei (PL) que equipara o aborto após a 22ª semana de gestação ao homicídio.
Com 81 membros, o Conselho da OAB é o órgão máximo da instituição que representa a advocacia brasileira.
“Absoluta desproporcionalidade e falta de razoabilidade da proposição legislativa em questão, além de perversas misoginia e racismo. Em suma, sob ótica do direito constitucional e do direito internacional dos direitos humanos o PL 1904/2024 é flagrantemente inconstitucional, inconvencional e ilegal”, afirma o parecer.
O documento considera ainda que o PL remonta à Idade Média, sendo “atroz, degradante, retrógrado e persecutória a meninas e mulheres”.
“Obriga meninas e mulheres, as principais vítimas de estupro, a duas opções: ou ela é presa pelo crime de aborto, cujo o tratamento será igual ao dispensado ao crime de homicídio simples, ou ela é obrigada a gerar um filho do seu estuprador”, segue o documento.
O Conselho votou a favor do parecer produzido por uma comissão formada por cinco representantes da OAB, todas mulheres, lideradas pela conselheira da Silvia Virginia Silva de Souza, atual presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos.
O presidente da Ordem, Beto Simonetti, fez o pedido do parecer e destacou que o documento aprovado não é uma mera opinião da instituição. “É uma posição da Ordem dos Advogados do Brasil, forte, firme, serena e responsável”, afirmou.
O documento aprovado pelo Conselho da OAB pede que o legislativo arquive a pauta. Caso aprovada, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve analisar o tema, conforme o parecer.