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Redação 05 de Novembro, 2026
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Polícia investiga esquema de apostas ilegais que movimentou mais de R$ 700 milhões em seis estados

Brasil
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Redação 05 de Novembro, 2026

 

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (5), uma operação para investigar um esquema de apostas ilegais que teria movimentado mais de R$ 700 milhões por meio de empresas de fachada. As ações acontecem no Distrito Federal e em outros cinco estados brasileiros, com cumprimento de mandados de busca e apreensão e bloqueio de bens dos investigados.

Segundo as investigações, os pagamentos realizados pelos apostadores eram direcionados a empresas que funcionavam como intermediárias financeiras. Essas companhias recebiam os valores, concentravam os recursos e posteriormente faziam transferências para pessoas físicas, empresas e instituições.

O inquérito começou há cinco meses, após a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda informar às autoridades sobre a existência de plataformas que operavam sem autorização federal. As irregularidades foram identificadas antes mesmo da edição da Medida Provisória que proibiu essa modalidade de aposta no país.

Até o momento, não foram expedidos mandados de prisão. A Polícia Civil também não divulgou os nomes dos suspeitos investigados.

Operação acontece em seis estados

No Distrito Federal, as equipes policiais realizam buscas em Sobradinho, Planaltina e Ceilândia. Em São Paulo, as diligências ocorrem na região da Faria Lima, Consolação e Berrini.

Em Goiás, os agentes atuam no Setor Bueno e no Parque Oeste Industrial, em Goiânia, além de Planaltina de Goiás e Valparaíso de Goiás.

No Paraná, os mandados são cumpridos em Curitiba, nos bairros Rebouças e Batel, e também em Bela Vista do Paraíso. No Ceará, as buscas incluem um hotel em Fortaleza. A operação também chegou a Natal, no Rio Grande do Norte.

Empresas de fachada eram utilizadas para receber dinheiro das apostas

De acordo com informações divulgadas pelo g1, os valores pagos pelos usuários eram enviados a empresas cujas atividades oficiais não tinham relação com jogos ou apostas.

Em Sobradinho, por exemplo, uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô aparecem entre os estabelecimentos que teriam recebido recursos das plataformas investigadas.

Durante as buscas, os policiais encontraram imóveis desocupados e estabelecimentos comerciais nos endereços utilizados para movimentar o dinheiro. A investigação identificou dezenas de empresas que teriam sido usadas para receber, concentrar e redistribuir os valores.

Parte dos recursos também teria sido convertida em criptoativos, segundo a apuração policial.

Fintech de São Paulo também é investigada

A investigação também alcançou a A55 Sociedade de Crédito, uma fintech com sede em São Paulo e autorização do Banco Central para funcionar como sociedade de crédito direto.

Simulações realizadas pelo Ministério da Fazenda identificaram que pagamentos via Pix feitos nas plataformas investigadas eram direcionados a diferentes contas de empresas de fachada mantidas na instituição financeira.

A fintech também teria administrado contas de outras empresas relacionadas ao esquema, com alternância dos procuradores responsáveis pelas movimentações.

Segundo a Polícia Civil, informações financeiras da instituição e de companhias ligadas ao mesmo grupo apontam movimentações próximas de R$ 1 bilhão. Entre as operações identificadas estão transferências para empresas investigadas e pagamentos relacionados a plataformas de apostas sem autorização.

Em 30 de julho de 2026, o Banco Central comunicou a intenção de cancelar a autorização de funcionamento da fintech.

Justiça determina bloqueio de até R$ 3,4 bilhões

Por decisão do Juízo das Garantias de Sobradinho, foram autorizados bloqueios de contas bancárias e ativos financeiros de 64 pessoas físicas e 120 empresas. O limite total das medidas chega a R$ 3,483 bilhões.

A determinação também prevê a indisponibilidade de bens mantidos em instituições fiscalizadas pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Entre as outras medidas autorizadas pela Justiça estão:

  • Suspensão dos registros no CNPJ de 100 empresas e empresários individuais;
  • Proibição de abertura de novas contas bancárias pelos investigados durante 90 dias;
  • Quebra dos sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 empresas.

Além disso, veículos pertencentes aos investigados que forem localizados durante as diligências poderão ser submetidos a sequestro judicial.