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Redação 04 de Fevereiro, 2026
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Polícia pede internação de adolescente por morte do cão Orelha e aponta falsas versões em depoimento

Brasil
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Redação 04 de Fevereiro, 2026

Investigação conclui que jovem deixou condomínio no horário do crime; laudos e imagens reforçam autoria do ataque ocorrido na Praia Brava

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu nesta terça-feira (3) o inquérito que apurou a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida no início de janeiro, e solicitou à Justiça a internação do adolescente investigado, medida aplicada a menores em casos de extrema gravidade. Segundo a corporação, o jovem apresentou contradições e informações falsas durante o depoimento.

O crime aconteceu na madrugada de 4 de janeiro, na Praia Brava, no Norte da Ilha. Conforme os laudos da Polícia Científica, o animal sofreu um trauma contundente na cabeça, compatível com um chute ou com o impacto de um objeto rígido, como madeira ou garrafa. O cachorro foi encontrado ferido por moradores no dia seguinte e não resistiu, morrendo em uma clínica veterinária.

Durante as investigações, o adolescente afirmou que permaneceu dentro de um condomínio no momento do ataque. No entanto, imagens de câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas e outros elementos materiais indicaram que ele saiu do local por volta das 5h25 e retornou cerca de 30 minutos depois, período compatível com o horário da agressão.

A Polícia Civil também apurou que o jovem viajou para fora do Brasil no mesmo dia em que os suspeitos foram identificados. Ele foi interceptado ao retornar ao país, em 29 de janeiro. Durante essa abordagem, um familiar teria tentado ocultar roupas usadas no dia do crime, consideradas relevantes para a investigação.

Ao longo de quase um mês, a polícia analisou mais de mil horas de imagens, ouviu 24 testemunhas, investigou oito adolescentes e utilizou softwares de rastreamento de localização para confirmar a dinâmica dos fatos e a autoria do ataque.

Além do caso de Orelha, a investigação também apurou maus-tratos contra outro animal, o cão Caramelo, episódio pelo qual quatro adolescentes foram responsabilizados. Já no caso envolvendo Orelha, três adultos — dois pais e um tio — foram indiciados por coação a testemunha, por tentarem interferir no andamento das apurações.

O inquérito foi conduzido pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (Deacle) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA) e já foi encaminhado ao Ministério Público e ao Judiciário, que irão decidir sobre o pedido de internação do adolescente.