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Redação 05 de Maio, 2026
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Tarifa zero nas capitais pode injetar até R$ 60 bilhões na economia, aponta estudo

Brasil
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Redação 05 de Maio, 2026

A implementação da tarifa zero no transporte público das 27 capitais brasileiras poderia injetar até R$ 60,3 bilhões por ano na economia do país. A estimativa faz parte de um estudo divulgado nesta terça-feira (5) por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Intitulada “A Tarifa Zero no Transporte Público como Política de Distribuição de Renda”, a pesquisa foi coordenada pelo professor Thiago Trindade, do Instituto de Ciência Política da UnB. O estudo aponta que a medida pode ter impacto semelhante ao do Bolsa Família, ao ampliar o poder de consumo das famílias.

Segundo os pesquisadores, ao descontar as gratuidades já existentes — como para idosos, estudantes e pessoas com deficiência —, estimadas em R$ 14,7 bilhões, a injeção líquida na economia seria de aproximadamente R$ 45,6 bilhões.

“Estamos falando de uma injeção de liquidez imediata no bolso das famílias brasileiras. Ao converter o gasto compulsório com passagens em renda disponível, o Estado promove um estímulo econômico que volta para a sociedade na forma de consumo e arrecadação de impostos”, explicou o professor.

Impacto social e redução de desigualdades

O estudo defende que a gratuidade no transporte pode funcionar como uma espécie de “salário indireto”, beneficiando principalmente populações mais vulneráveis, moradores de periferias e a população negra.

A proposta também sugere que o transporte público gratuito seja tratado como um direito social, nos moldes de políticas como o Sistema Único de Saúde e a educação pública.

De acordo com os pesquisadores, a adoção da tarifa zero em escala nacional colocaria o Brasil entre os países com políticas mais avançadas no enfrentamento às desigualdades sociais.

Possibilidades de financiamento

O estudo foi financiado pela Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero no Congresso Nacional, com apoio da Fundação Rosa Luxemburgo. Entre as alternativas de financiamento, os pesquisadores apontam a possibilidade de substituição do atual modelo de vale-transporte por um sistema custeado por empresas públicas e privadas com mais de dez funcionários.

A estimativa é que cerca de 81,5% dos estabelecimentos ficariam isentos dessa contribuição. “A gente tem como fazer um programa de tarifa zero sem onerar o orçamento da União”, afirmou o coordenador da pesquisa.