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Redação 05 de Outubro, 2026
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Integrantes da Bamor são denunciados pelo MP-BA após investigação sobre agressões em Salvador

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Redação 05 de Outubro, 2026

Um analista de sistemas de 45 anos relatou ter sido vítima de uma sequência de agressões dentro da sede da Bamor, no bairro de Nazaré, em Salvador. O caso passou a ser investigado pelas autoridades e resultou na denúncia de dez integrantes da torcida organizada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA).

De acordo com o relato registrado na Polícia Civil, Roberto Brito de Jesus teria sido chamado ao local para explicar possíveis irregularidades envolvendo uma plataforma utilizada pela torcida. O sistema era responsável por atividades como cadastro de associados, movimentações financeiras e venda de produtos.

O analista negou qualquer participação em fraude. Segundo ele, o que deveria ser uma reunião para prestar esclarecimentos acabou se transformando em um episódio de violência que teria durado aproximadamente quatro horas.

Roberto afirmou ter sido agredido fisicamente e submetido a métodos de sufocamento e afogamento. Ele relatou que um saco plástico teria sido colocado em sua cabeça e que também sofreu um episódio em que um pano foi colocado sobre seu rosto enquanto água era despejada.

Ainda conforme o depoimento, os envolvidos teriam mexido em seu telefone celular, acessado conversas particulares e copiado imagens da esposa e da filha. O registro policial aponta também transferências bancárias que chegaram a R$ 5.578,18.

O veículo do analista também teria sido revistado. Ele afirmou que a chave de outro carro de sua propriedade permaneceu com o presidente da torcida após o episódio. Ao deixar o local, apresentava ferimentos no rosto, joelhos, cotovelos, tornozelos e costas.

 

A investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) levou à denúncia de dez pessoas. O documento foi apresentado à Justiça na sexta-feira (2), dentro da Operação Inquisição.

Para o Ministério Público, os investigados não teriam agido de maneira isolada. A acusação sustenta que existia uma estrutura organizada, com divisão de funções entre os integrantes, utilizada para a prática dos crimes investigados.

O MP-BA afirma que a sede da torcida teria sido usada como local para a abordagem e violência contra duas vítimas durante o mês de julho.

Segundo a acusação, as pessoas envolvidas teriam tentado obter informações e confissões sobre supostos desvios ligados ao sistema de associados da entidade. A Promotoria classifica a atuação como uma forma de punição privada.

Entre os crimes atribuídos aos denunciados estão organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça.

Prisões ocorreram no fim de setembro

As prisões preventivas dos dez denunciados foram cumpridas em Salvador no dia 28 de setembro. Desde então, os investigados estão custodiados no Complexo Penitenciário da Mata Escura.

A decisão judicial também descreve diferentes condutas que teriam sido praticadas durante os episódios investigados. Entre os elementos citados estão agressões com taco de beisebol, martelo e faca, além de ameaças de morte e acesso aos celulares das vítimas.

Outros três investigados — Wesley Christian Sousa da Silva e Silva, Edivaldo Lopes de Oliveira e Lucas Silva Macedo — também foram alvo de mandados de busca e apreensão. No entanto, a prisão preventiva deles não foi determinada. Conforme a decisão, ainda seria necessário esclarecer a participação de cada um nos fatos.

 

A denúncia apresentada pelo MP-BA inclui dirigentes e integrantes da torcida, além de um policial militar:

  • Matheus Pires Castro, presidente da Bamor;
  • Luciano da Silva Venâncio, vice-presidente;
  • Gabriel Pereira Silva, conhecido como Bolinha, diretor-geral;
  • Daniel Sena Duarte, conhecido como Facada, diretor de sede;
  • Ricardo Henrique Almeida da Silva, conhecido como Kakaroto, diretor de marketing;
  • Diego Allan Conceição Sacramento, conhecido como Pitombo, diretor de patrimônio;
  • Ivã Cleiton de Jesus Santos, diretor de bateria;
  • Luiz Wagner da Silva Santana, conhecido como Waguinho, diretor de sede;
  • Alan Rafael Regis Alves de Aquino, apontado como diretor financeiro;
  • Fernando Santana Esquivel, policial militar apontado como integrante da torcida.

Torcida contesta acusações

A Associação Bamor Nova Era negou que seus dirigentes ou representantes tenham participado das agressões denunciadas.

Em manifestação anterior, a torcida afirmou ter encontrado indícios de irregularidades envolvendo o sistema utilizado para administrar associados, arrecadações e venda de ingressos. A entidade sustentou que movimentações consideradas suspeitas teriam sido feitas por meio de credenciais associadas ao analista de sistemas.

Roberto nega qualquer envolvimento em fraude.

A Bamor declarou ainda que não compactua com atos de violência, informou que colaboraria com as investigações e afirmou ter expulsado um integrante por supostas irregularidades relacionadas ao sistema de associados.

O MP-BA pediu à Justiça que as prisões preventivas sejam mantidas. A Promotoria também solicitou que os responsáveis sejam condenados a indenizar as vítimas por danos materiais e morais, além do pagamento de R$ 2 milhões por danos morais coletivos.

Os fatos descritos na denúncia ainda serão analisados pela Justiça. Os denunciados são considerados acusados, e não condenados, até eventual decisão judicial definitiva.