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Redação 04 de Março, 2026
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Nitrato de cobre é identificado em sedimento na Praia de São Tomé de Paripe e área segue monitorada pelo Inema

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Redação 04 de Março, 2026

Após análises técnicas realizadas em laboratório, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) confirmou que o material encontrado no sedimento da Praia de São Tomé de Paripe, em Salvador, é nitrato de cobre. A presença da substância, identificada por colorações azul e amarela, levou o órgão ambiental a adotar medidas preventivas, incluindo inspeções no local, sinalização de risco e restrição temporária de acesso ao trecho afetado.

O laudo aponta que o nitrato de cobre é um composto inorgânico que libera íons de cobre e nitrato quando entra em contato com a água. Segundo o biólogo e pesquisador da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Francisco Kelmo, o maior impacto ambiental está associado ao cobre. Ele explica que, embora o metal seja necessário em pequenas quantidades para o funcionamento biológico dos organismos, concentrações elevadas tornam-se prejudiciais e podem provocar efeitos tóxicos significativos.

De acordo com o especialista, os primeiros sinais da contaminação aparecem na fauna marinha, especialmente entre invertebrados. Há registros de morte de siris, camarões e peixes na região, indicando possível mortalidade aguda. Os animais que sobrevivem à exposição podem desenvolver danos permanentes em sistemas vitais, como o respiratório e o excretor. Já organismos mais jovens tendem a sofrer impactos ainda mais severos, com alterações no crescimento e prejuízos na reprodução.

Possíveis efeitos à saúde humana

O pesquisador também alertou para cuidados por parte da população. O contato direto com a água contaminada pode provocar irritações na pele, dermatites e desconforto ocular. Além disso, a ingestão acidental da água do mar ou o consumo de animais marinhos provenientes da área contaminada pode representar risco à saúde, já que o cobre acumulado não é facilmente eliminado pelo organismo humano.

Em nota, o Terminal Itapuã informou que acompanha as investigações, contratou especialistas para análises independentes e declarou que as substâncias identificadas não correspondem aos produtos atualmente movimentados pela empresa. A companhia também defendeu a análise do histórico ambiental da área e afirmou atuar conforme as normas ambientais vigentes, aguardando a conclusão das avaliações técnicas.

O Inema informou ainda que continuará monitorando a situação e analisando novos resultados para definir eventuais medidas ambientais. O portal Taktá solicitou acesso ao relatório técnico completo, incluindo dados sobre a concentração das substâncias na água, e aguarda posicionamento do órgão ambiental.