Professores da rede municipal de Salvador decidem manter a greve
Com 72 dias de greve completados até esta quarta-feira (16), o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB) decidiu manter a greve dos professores da rede municipal de Salvador. A decisão foi tomada após a realização de uma assembleia geral no Ginásio de Esportes dos Bancários.
Segundo uma nota divulgada pela APLB, os professores rejeitaram mais uma proposta apresentada pela prefeitura de Salvador e votaram pela continuação da greve. Ainda de acordo o sindicato, os docentes propuseram alterações no acordo que serão entregues na quinta-feira (17), ao executivo municipal e uma nova assembleia foi marcada para a próxima segunda-feira (21).
Entre os principais pontos do acordo proposto pelo Município estão a gratificação de diretores e vice-diretores fixada em 5% sobre os vencimentos; a conversão das Tabelas de Gratificação de Otimização em percentuais; a manutenção da Gratificação de Aprimoramento nos percentuais de 2,5%, 5% e 7,5%, com teto de 25% do vencimento base; e a revogação do art. 21 da Lei nº 9.865/2025. Também está previsto o restabelecimento de gratificação em unidades socioeducativas (30% do vencimento básico) e de ajuda de custo de 50% para servidores lotados nas ilhas.
A Prefeitura também garantiu que irá devolver os valores descontados na folha deste mês, suspender novos descontos e cancelar as faltas registradas durante o período da greve, com reposição de aulas a ser acordada entre as partes.
Apesar da proposta, os professores avaliaram que as medidas ainda não contemplam integralmente suas principais reivindicações, como o cumprimento do piso nacional do magistério e a valorização efetiva da carreira. A categoria segue mobilizada à espera de nova resposta da gestão municipal.
A greve dos professores já afeta diretamente cerca de 131 mil estudantes. A paralisação teve início em 4 de maio, após a categoria denunciar que a gestão municipal não está pagando o piso nacional do magistério, atualmente fixado em R$ 4.867,77.
Ainda nesta quarta (16), o Tribunal de Justiça da Bahia determinou uma nova multa diária contra a APLB-Sindicato em razão da continuidade da greve, considerada ilegal por diversas decisões da Corte desde 7 de maio.
A nova sentença, proferida pelo juiz Francisco de Oliveira Bispo, da Seção Cível de Direito Público, determina o retorno imediato dos educadores às atividades e eleva a multa diária de R$100 mil para R$200 mil.