Tribunal do Júri condena três ex-policiais pela morte de Geovane Mascarenhas
Após mais de 20 horas de julgamento, distribuídas em dois dias de sessão no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, o Tribunal do Júri condenou três ex-policiais militares acusados de participação na morte de Geovane Mascarenhas de Santana. A decisão foi concluída por volta das 2h desta sexta-feira (19).
Entre os condenados, Jesimiel da Silva Resende recebeu a pena mais alta: 25 anos, 3 meses e 15 dias de prisão em regime inicial fechado, além de multa. Ele foi responsabilizado por homicídio duplamente qualificado, roubo e ocultação de cadáver.
Já Cláudio Bonfim Borges foi sentenciado a 20 anos e 7 meses de reclusão, também em regime fechado, além de multa, pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e roubo. No entanto, ele acabou absolvido da acusação de ocultação de cadáver.
Jailson Gomes Oliveira, por sua vez, foi condenado exclusivamente por roubo. A pena fixada foi de 6 anos e 4 meses de prisão em regime semiaberto, além de multa. Ele foi absolvido da acusação de homicídio.
Os mandados de prisão contra Jesimiel e Cláudio foram cumpridos ainda no plenário, logo após a leitura da sentença. Em contrapartida, outros quatro policiais militares da ativa — Daniel Pereira de Sousa Santos, Allan Moraes Galiza dos Santos, Alex Santos Caetano e Roberto dos Santos Oliveira — foram absolvidos de todas as acusações por negativa de autoria.
O caso remonta a agosto de 2014, quando Geovane Mascarenhas de Santana, então com 22 anos, desapareceu após ser abordado por agentes da Rondesp na Rua Nilo Peçanha, no bairro da Calçada, em Salvador. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o jovem foi levado pelos policiais.
Durante o julgamento, o Ministério Público da Bahia (MPBA) sustentou a acusação com base em provas periciais de geolocalização. A argumentação dos promotores Áviner Rocha, Cássio Marcelo e Luciano Assis apontou que as viaturas utilizadas na abordagem foram as mesmas identificadas, horas depois, nos locais onde os restos mortais da vítima foram descartados.
O corpo de Geovane foi encontrado no dia seguinte ao desaparecimento, em 3 de agosto de 2014, decapitado e carbonizado nas proximidades do Parque São Bartolomeu, no subúrbio ferroviário. Dias depois, a cabeça e outras partes do corpo foram localizadas no Parque Tecal, em Campinas de Pirajá.
O julgamento integrou a terceira edição do projeto “TJBA Mais Júri”, iniciativa do Tribunal de Justiça da Bahia criada por meio do Decreto Judiciário nº 353/2026. A ação busca ampliar o número de sessões do Tribunal do Júri em todo o estado e acelerar a tramitação de processos relacionados a crimes dolosos contra a vida.