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Redação 26 de Agosto, 2025
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CNI contrata lobista ligado a Trump para tentar reverter tarifas sobre produtos brasileiros

Economia
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Redação 26 de Agosto, 2025

 

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) contratou o escritório de Brian Ballard, lobista próximo ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para atuar em Washington e tentar reverter as tarifas impostas a produtos brasileiros. A missão empresarial ocorrerá nos dias 3 e 4 de setembro, com a participação do presidente da entidade, Ricardo Alban, e representantes de diversos setores.

A agenda inclui encontros com empresários americanos, reunião na embaixada do Brasil e uma audiência pública no USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), responsável pela investigação tarifária contra o Brasil. Na ocasião, a indústria brasileira será representada pelo embaixador Roberto Azevêdo, ex-diretor da OMC.

Segundo o contrato firmado, além de Ballard, atuará também Hunter Morgen, ex-assessor da Casa Branca na área de comércio e imigração e adjunto de Peter Navarro, um dos principais conselheiros de Trump sobre tarifas. A contratação de um lobista com trânsito na Casa Branca é vista pela CNI como reforço à estratégia para ampliar o número de exceções às sobretaxas.

As tarifas, anunciadas por Trump em 9 de julho e em vigor desde 6 de agosto, atingem 36% das exportações brasileiras para os EUA, incluindo máquinas agrícolas, carnes e café. Houve, no entanto, 700 exceções, que isentaram 43% do valor exportado, beneficiando setores como petróleo, aviação civil (incluindo a Embraer) e suco de laranja.

Apesar da resistência do governo americano, Ballard acredita que há margem para negociação. “Vamos focar nas exclusões. Acho que há disposição para evitar prejuízos a empresas brasileiras que têm papel relevante na economia dos Estados Unidos”, afirmou.

A missão da CNI foi anunciada como independente do governo federal, com caráter estritamente empresarial. Além da confederação, confirmaram presença associações dos setores de brinquedos, têxtil, alumínio, madeira, ferramentas, cerâmica e café, entre outros. A Embraer também participará das conversas.

Trump tem associado as tarifas, em parte, ao que considera perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O governo brasileiro e o Supremo Tribunal Federal, porém, têm reiterado que não cederão em questões políticas, limitando o diálogo ao campo comercial.