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Redação 09 de Dezembro, 2025
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Reforma do IR pode render um salário extra em 2026

Economia
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Redação 09 de Dezembro, 2025

A partir de 1º de janeiro de 2026, mudanças nas regras do Imposto de Renda vão proporcionar um alívio financeiro para milhões de trabalhadores brasileiros. A atualização, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amplia a faixa de isenção e busca tornar a cobrança mais equilibrada para quem vive de salário, ao mesmo tempo em que aumenta a tributação sobre lucros e dividendos. A medida também tem forte impacto político, funcionando como uma resposta prática às discussões recentes no Congresso sobre redistribuição de renda.

Cálculos da Confirp Contabilidade mostram que um trabalhador com salário mensal de R$ 5 mil deve economizar R$ 312,89 por mês com o novo IR. No acumulado do ano, somado ao 13º salário, o valor chega a R$ 4.067,57, “quase um salário extra”, destaca o diretor tributário da empresa, Welinton Mota.
A nova legislação prevê um desconto variável capaz de zerar o imposto para ganhos de até R$ 5 mil mensais e oferecer reduções progressivas até R$ 7.350. Acima disso, não há benefício. As regras também valem para o 13º.

Estimativas oficiais apontam que cerca de 10 milhões de contribuintes deixarão de pagar Imposto de Renda já em 2026. Com isso, 65% dos declarantes ficarão isentos, representando mais de 26 milhões de pessoas. No total da população, 87% não serão tributados pelo IRPF.

Tributação maior para altas rendas

Para equilibrar a desoneração da base salarial, a reforma cria o Imposto de Renda Pessoa Física Mínimo (IRPFm), que incidirá sobre lucros e dividendos atualmente livres de tributação.
Pela nova regra, valores pagos por uma mesma empresa a uma mesma pessoa física que ultrapassem R$ 50 mil por mês terão retenção de 10% na fonte. Lucros acumulados até 2025 permanecem isentos, desde que aprovados até 31 de dezembro daquele ano.

Também será cobrada uma alíquota mínima anual de até 10% para contribuintes que recebem mais de R$ 1,2 milhão por ano, considerando todos os rendimentos, inclusive os que hoje são isentos ou tributados separadamente. Ficam fora dessa conta rendimentos como poupança, LCI, LCA, fundos imobiliários e lucros de exercícios anteriores a 2026.

“O tratamento dado aos lucros distribuídos muda de forma significativa”, afirma Richard Domingos, diretor executivo da Confirp. Ele ressalta que a retirada do fator de redução que limitava a soma entre IRPJ, CSLL e IRPFm pode elevar a carga tributária em até 10%.
“É preciso cuidado. Aumentar a tributação dos mais ricos pode ser um passo importante para a justiça fiscal, mas não pode penalizar empresas já afetadas pelo custo elevado e pela falta de previsibilidade”, comenta.

Quem ganha e quem perde:

– Trabalhadores com até R$ 5 mil: serão os mais beneficiados, podendo acumular economia equivalente a um salário extra por ano.
– Rendimento entre R$ 5 mil e R$ 7.350: terão reduções menores, até zerarem.
– Acima de R$ 7.350: não terão vantagens.
– Empresários, investidores e sócios: passarão a pagar mais, devido à tributação de dividendos.

Apesar de a desoneração para as camadas de menor renda ultrapassar R$ 31 bilhões anuais, o governo prevê compensação pela arrecadação do IRPFm, resultando em saldo positivo de R$ 12 bilhões entre 2026 e 2028. “A medida pode reforçar a justiça social, mas exige planejamento para minimizar impactos e proteger ganhos”, alerta Domingos.

Ferramentas para auxiliar contribuintes

Para ajudar trabalhadores e empresários a visualizarem os efeitos práticos da reforma, a Confirp disponibilizou duas calculadoras:

– Calculadora IR para rendas até R$ 7.350: mostra a economia obtida com a nova faixa de isenção.
– Simulador IRPFm: indica o impacto das novas regras sobre lucros, dividendos e altos rendimentos.

As ferramentas foram criadas para simplificar o entendimento das mudanças e auxiliar nas decisões financeiras diante do novo cenário tributário.