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Redação 17 de Setembro, 2026
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Associações da Bahia investigadas no caso Master tinham R$ 1 bilhão em descontos de servidores

Justiça
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Redação 17 de Setembro, 2026

Asteba e Asseba somavam mais de 103 mil autorizações em contracheques de funcionários públicos baianos em 2025, segundo dados que integram a investigação

Duas associações de servidores da Bahia investigadas no caso Banco Master reuniam mais de 103 mil autorizações de descontos em contracheques em 2025. Segundo informações que integram o inquérito da Polícia Federal, Asteba e Asseba tinham carteiras estimadas em cerca de R$ 1 bilhão. As informações foram divulgadas pela Folha de São Paulo.

Os dados passaram a fazer parte das investigações sobre as operações envolvendo o Banco Master e o BRB. O sigilo de documentos do caso foi suspenso pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (10).

A Asteba tinha 52.176 autorizações de desconto, enquanto a Asseba registrava outras 51.111. De acordo com os investigadores, os valores eram referentes a mensalidades e serviços associativos descontados diretamente dos salários dos servidores. O montante estimado das duas carteiras, porém, era muito inferior aos R$ 6,7 bilhões em créditos que o Master inicialmente atribuiu às entidades.

As duas associações foram alvo de mandados de busca e apreensão durante a Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025. A investigação também apura a relação das entidades com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.

Segundo a PF, o banco informou ao Banco Central, em março de 2025, que os créditos negociados com o BRB tinham como origem a Asteba e a Asseba. Posteriormente, o Master mudou a versão e passou a indicar a empresa Tirreno como responsável pela origem dos créditos. A investigação encontrou inconsistências nas duas explicações.

Entre os pontos questionados estão a utilização de CPFs de diferentes estados e a ausência de movimentações financeiras consideradas compatíveis com o volume de créditos apresentado. Mesmo após as inconsistências, as carteiras foram revendidas ao BRB por R$ 12,2 bilhões, entre janeiro e maio de 2025.

A Polícia Federal também investiga a relação de Augusto Lima com as associações. Relatórios citados no inquérito apontam que as entidades teriam sido criadas e controladas por ele por meio de terceiros. As associações ainda utilizavam o mesmo endereço de e-mail registrado por uma empresa de propriedade de Lima, segundo os documentos da investigação.

Lima chegou a ser preso durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, mas foi solto e atualmente utiliza tornozeleira eletrônica. A PF atribui a ele participação na elaboração de carteiras consideradas fraudulentas no caso.

A defesa do empresário nega as acusações. Os advogados afirmam que o Banco Master teria informado de maneira equivocada ao Banco Central que Asteba e Asseba eram responsáveis pelos créditos e sustentam que Lima não autorizou nem assinou documentos vinculando as associações às carteiras negociadas.

A defesa também afirma que ele deixou a sociedade e a direção do Banco Master em maio de 2024, antes da operação policial, realizada em novembro de 2025. Segundo os advogados, Lima mantinha apenas contratos regulares de prestação de serviços com as entidades e nunca movimentou as contas das associações.

A Secretaria da Administração da Bahia informou que não se manifestaria sobre os contratos de cooperação mantidos com as associações. As entidades oferecem serviços aos servidores, como planos odontológicos, compras de celulares e assistência jurídica.

Procuradas pela reportagem, a Asteba informou, por telefone, que não havia integrantes da direção no local. Recados foram deixados, mas não houve retorno. A Asseba não atendeu às ligações.