Mendonça acusa Moraes de distorcer relatórios da PF e pede investigação por abuso de autoridade
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (22), que Alexandre de Moraes distorceu relatórios de inteligência da Polícia Federal (PF) para apontar supostas irregularidades em sua atuação nos casos do Banco Master e INSS.
Na manifestação, Mendonça defendeu o arquivamento do pedido de investigação apresentado contra ele e apresentou novos questionamentos sobre a atuação de Moraes.
“O que se verifica é a realização de atividade ilícita da Polícia Federal e a presença de evidente denunciação caluniosa e abuso de autoridade na tentativa de intimidar e obstruir a Justiça”, afirmou Mendonça.
Segundo o ministro, os documentos usados para embasar o pedido de investigação tinham caráter restrito e não possuíam valor probatório. Ele também afirmou que os relatórios foram encaminhados a Moraes por determinação do próprio ministro.
“A instrumentalização da Polícia Federal—através da utilização de documentação que é manifestamente desprovida de qualquer valor probatório— já seria, só por isso, manobra absurda—consistindo na prática de ato caracterizador de evidente desvio de finalidade”, disse Mendonça.
O ministro também acusou Moraes de tentar atribuir a ele comportamentos que, segundo sua manigestação, os próprios relatórios relacionariam às equipes policiais envolvidas nos casos.
“Na tentativa de agudizar a gravidade dos relatos ali contidos, o Ministro Alexandre de Moraes distorce o teor do ‘documento’, para imputar falsamente a este Ministro a prática de comportamentos que os próprios ‘relatórios’ atribuem às equipes policiais envolvidas”, diz Mendonça.
Além de pedir o arquivamento da investigação contra ele, Mendonça solicitou que Moraes seja investigado por suspeitas de abuso de autoridade e denunciação caluniosa. O julgamento sobre a atuação de Mendonça, inicialmente previsto para 23 de setembro, foi adiado em 17 de setembro e ainda não tinha nova data definida.