STF proíbe gravação de audiências de trama golpista e Abraji pede revisão
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de impedir a gravação de áudio e vídeo nas audiências do processo que investiga a tentativa de golpe de Estado no Brasil gerou críticas de entidades ligadas à imprensa. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) solicitou, nesta quinta-feira (15), que a Corte reveja a restrição, apontando riscos à transparência e ao direito da população à informação.
“A Abraji pede ao STF que considere, ao adotar essas regras, seu dever de proteção da liberdade de imprensa e do direito de informar, para que a população tenha acesso a informações de alto interesse público, considerando que os depoimentos são de autoridades e de que não é uma divulgação feita pela imprensa que vai divulgar os depoimentos seguintes”, disse a Abraji.
As sessões estão marcadas para ocorrer entre os dias 19 de maio e 2 de junho, período em que testemunhas começarão a ser ouvidas no processo. Entre os nomes previstos estão o ex-comandante do Exército, general Freire Gomes, e os governadores Ibaneis Rocha (DF) e Tarcísio de Freitas (SP), além de deputados e senadores. A lista ainda está em atualização.
Apesar de não correr sob segredo de Justiça, o STF determinou que os jornalistas acompanhem os depoimentos apenas por meio de um telão, sem autorização para registrar imagens ou áudios. O conteúdo será liberado ao público somente após o fim da fase de oitivas. “O acompanhamento atento dos processos de interesse público, que não estão em segredo de Justiça, é essencial”, escreveu a associação em nota.
Entre os réus da ação penal estão o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além dos ex-ministros Augusto Heleno, Anderson Torres, Braga Netto, Paulo Sérgio Nogueira e Alexandre Ramagem.