Cuba reage às ameaças de invasão dos EUA e reforça unidade popular
Diante das recentes declarações de Donald Trump sobre “tomar Cuba”, o governo em Havana intensificou o monitoramento das movimentações militares norte-americanas na região. O embaixador cubano José R. Cabañas Rodríguez afirmou que a possibilidade de uma invasão é real e que o país está preparado para enfrentar qualquer ação.
Segundo Cabañas, o risco acompanha Cuba desde o triunfo da Revolução em 1959 e ressurge em momentos de fragilidade econômica. Ele lembrou episódios históricos, como a invasão da Praia Girón em 1961, derrotada pelas forças de Fidel Castro, e mobilizações militares próximas à ilha nos anos 1980.
O diplomata destacou ainda a presença da base naval norte-americana em Guantánamo, ocupada desde 1903, como fator permanente de ameaça. Para ele, a atual onda de informações sobre uma possível invasão faz parte de uma estratégia de intimidação.
“Se trata de contaminar o país e a população que vão ser agredidos, para que as pessoas tenham medo, se desanimem”, disse.
A crise energética agravada pelo bloqueio dos EUA levou Cuba a enfrentar apagões de até 12 horas em Havana e dias inteiros em cidades do interior. Um carregamento russo de petróleo trouxe alívio temporário, mas não cobre sequer um mês de consumo. Nesse cenário, Havana iniciou negociações com Washington, mas Cabañas reforçou que não haverá concessões que comprometam a soberania.
Na ONU, o presidente Miguel Díaz-Canel denunciou o bloqueio como punição coletiva, afetando diretamente serviços de saúde e milhares de pacientes. Paralelamente, parlamentares democratas nos EUA criticaram as sanções e defenderam a normalização das relações.
Em entrevista à NBC News, Díaz-Canel reafirmou a disposição de resistir: “Se isso acontecer [uma invasão], haverá combate, haverá luta. Nós nos defenderemos, e se tivermos que morrer, morreremos, porque como diz nosso hino nacional: ‘morrer pela pátria é viver’”.