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Redação 03 de Março, 2025
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Doador que ajudou a salvar milhões de bebês morre aos 88 anos na Austrália

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Redação 03 de Março, 2025

James Harrison, um dos maiores doadores de sangue do mundo, faleceu aos 88 anos em Nova Gales do Sul, na Austrália. A notícia foi confirmada por sua família nesta segunda-feira (3). Ele morreu enquanto dormia em uma casa de repouso no dia 17 de fevereiro.

Harrison ficou conhecido como o “homem do braço de ouro” devido à presença de um anticorpo raro, o Anti-D, em seu sangue. Essa substância foi fundamental na produção de medicamentos que protegem bebês ainda no útero contra uma condição grave chamada doença hemolítica do feto e do recém-nascido.

O australiano começou a doar sangue aos 18 anos e manteve a prática por mais de seis décadas, ajudando a salvar a vida de aproximadamente 2 milhões de bebês. Ele tomou a decisão de se tornar doador após precisar de transfusões devido a uma cirurgia no tórax aos 14 anos.

Até os 81 anos, Harrison doava plasma a cada duas semanas e chegou a conquistar o recorde mundial de maior quantidade de plasma doado, título que manteve até 2022, quando foi ultrapassado por um doador nos Estados Unidos.

Sua filha, Tracey Mellowship, afirmou que ele sempre teve orgulho de seu papel em salvar tantas vidas. “Ele dizia que doar sangue não doía e que a vida salva poderia ser a sua própria”, contou.

Tracey e seus filhos também receberam a imunoglobulina anti-D, reforçando o impacto direto da generosidade de Harrison em sua própria família. “Ele ficava emocionado ao saber de famílias que só existiam graças à sua doação”, disse ela.

A doença hemolítica ocorre quando há incompatibilidade entre os glóbulos vermelhos da mãe e do bebê, levando o sistema imunológico materno a atacar as células do feto. Antes da criação da imunoglobulina anti-D, na década de 1960, a taxa de mortalidade dessa condição chegava a 50%.

Embora não se saiba ao certo por que o sangue de Harrison continha tanto Anti-D, especialistas acreditam que isso pode estar relacionado à transfusão maciça que ele recebeu na adolescência. Atualmente, há menos de 200 doadores com esse anticorpo na Austrália, mas eles são essenciais para proteger cerca de 45 mil mães e bebês todos os anos.

Diante da dificuldade em encontrar novos doadores, a Cruz Vermelha Australiana, por meio do serviço Lifeblood, está trabalhando com o Instituto de Pesquisa Médica Walter e Eliza Hall para desenvolver anticorpos anti-D em laboratório, replicando células sanguíneas de Harrison e outros doadores.

O diretor de pesquisa da Lifeblood, David Irving, destacou que a criação de uma terapia sintética seria um grande avanço. “Há muito tempo buscamos essa solução, mas a falta de doadores capazes de produzir os anticorpos necessários ainda é um desafio”, afirmou.