Rússia coloca fundador do Telegram em lista de extremistas e determina bloqueio de bens
As autoridades da Rússia incluíram, nesta quinta-feira (30), o fundador do Telegram, Pavel Durov, na lista oficial de “terroristas e extremistas”. A decisão foi anunciada poucos dias após o país emitir um mandado de prisão internacional contra o empresário.
Segundo o governo russo, Durov teria permitido que serviços de inteligência da Ucrânia utilizassem o Telegram para ações de espionagem e recrutamento dentro do território russo. As informações são do A Tarde.
Com a inclusão do nome de Durov no cadastro do Rosfinmonitoring, órgão responsável pela supervisão financeira do país, o empresário passa a ter contas, bens e operações financeiras bloqueados em território russo.
O Serviço Federal de Segurança (FSB) também confirmou o início do processo para inclusão do executivo em mecanismos internacionais de busca. No entanto, não há garantia de que outros países atendam ao pedido de cooperação.
Radicado fora da Rússia há vários anos, Durov possui cidadania francesa e dos Emirados Árabes Unidos e mantém um histórico de divergências com o Kremlin, especialmente por causa da postura do Telegram em relação ao compartilhamento de dados com o governo russo.
Para justificar a medida, o FSB afirmou que a plataforma se recusou a remover um bot de encontros que, segundo as autoridades, seria utilizado pela inteligência ucraniana para recrutar jovens russos para ações de sabotagem.
O Telegram é uma das principais plataformas de comunicação utilizadas na Rússia e já foi alvo de tentativas do governo de ampliar o controle sobre o aplicativo.
Até a última atualização, Pavel Durov não havia comentado as acusações. Em 2024, o empresário chegou a ser detido na França por investigações relacionadas à moderação de conteúdos ilícitos na plataforma, mas foi liberado após pagamento de fiança.